Diário de Notícias -
21 Jul
08
Filme sobre alterações climáticas gera polémica
Filipe Feio
Reino Unido. Regulador considera que imagem de
cientistas foi adulterada
Documentário não engana os telespectadores, diz
órgão regulador britânico
O canal britânico Channel 4 adulterou a imagem de
alguns dos mais proeminentes cientistas do mundo num
controverso documentário que alegava que o
aquecimento global não passava de uma conspiração e
de uma fraude. A conclusão da Ofcom, o regulador dos
media britânicos, resulta de um processo de
investigação de 15 meses, e poderá, assim, chegar ao
fim durante esta semana.
De acordo com o The Guardian, a transmissão pelo
Channel 4 do documentário intitulado The Great
Global Warming Swindle (ou, em português, e em
tradução livre, A Grande Fraude do Aquecimento
Global), deverá, depois desta decisão da Ofcom,
traduzir-se então numa condenação do canal. Ou seja,
a Ofcom deverá dar razão aos queixosos, entre os
quais se incluem o ex-assessor do governo britânico
para a área de ciência , Sir David King, e o Painel
Intergovernamental para as Alterações Climáticas
(nomeado com o Nobel), relativamente à forma como
foram apresentados e representados os cientistas no
documentário. "O Channel 4 atribuiu injustamente
(...)a David King comentários que ele não fez e
criticou-o por esses comentários, não lhe dando a
oportunidade de responder", afirma a Ofcom.
No entanto, apesar de o regulador reconhecer que o
filme não era justo para com os cientistas, não
chegou à conclusão de que fosse enganador para os
telespectadores, no que diz respeito à precisão dos
dados e informações contidas no documentário.
Nesta matéria, descrita ao longo de 270 páginas e
131 tópicos, espera-se que o Channel 4 se declare
vitorioso, e que afirme que o programa passou o
teste sobre se deveria ou não ter sido transmitido.
Quando transmitido, o documentário foi criticado por
cientistas, que o acusaram de interpretar
erradamente as evidências do aquecimento global, de
recuperar argumentos antigos e desacreditados, e de
manipular dados para provar a sua teoria, vista como
uma resposta a Uma Verdade Inconveniente, de Al
Gore.
Além de alegar que os cientistas do Painel
Intergovernamental para as Alterações Climáticas não
quiseram participar no filme, o realizador afirma
que "a morte desta teoria vai ser dolorosa e feia".
"Mas vai morrer. Porque está errada", escreveu
Martin Durkin.