Diário IOL -
21 Jul
08
Portugal poderá ficar mais pobre
Rede Anti Pobreza alerta para desigualdades
sociais e sobreendividamento
Citando dados do último relatório sobre a Situação
Social na Europa, a Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN)
garante que Portugal «continua a ser um dos países
da União Europeia onde se verificam maiores
desigualdades sociais», com o fosso entre ricos e
pobres a situar-se «em 6,9 por cento, ao passo que a
média europeia é de 4,9 por cento», informa a Lusa.
O organismo considera que o Plano Nacional de Acção
para a Inclusão (PNAI) tem «falhas na implementação»
e defende que o novo documento deve prever medidas
concretas de combate às recentes formas de pobreza,
como o sobreendividamento.
«A actual conjuntura económica poderá conduzir, a
muito curto prazo, a um agravamento dos fenómenos de
pobreza e exclusão social» e, «dadas as
características do nosso modelo de desenvolvimento e
actual situação dos fenómenos de pobreza, Portugal
deverá ser um dos países mais afectados».
Desta forma, a REAPN defende que o novo PNAI deve
«prever medidas concretas que vão de encontro às
chamadas novas formas de pobreza, nomeadamente em
relação ao sobreendividamento», bem como «definir
metas concretas no sentido de atacar directamente a
taxa de pobreza» nos idosos, propondo como primeira
medida «o aumento das pensões».
Maior inclusão das minorias étnicas
A REAPN propõe que o próximo PNAI «contenha um plano
estratégico de implementação» e que lhe sejam
assegurados «os recursos humanos e materiais
necessários, [...] desde logo na equipa de
coordenação» para uma «efectiva e eficaz
operacionalização/implementação».
Por outro lado, o organismo também exige que o novo
plano retome «a integração não só dos imigrantes,
mas também das minorias étnicas, em particular, as
comunidades ciganas», definindo objectivos, metas e
medidas «que visem uma intervenção clara e
efectiva».
O novo Plano Nacional de Acção para a Inclusão -
para o período 2008-2011 - deverá ser submetido à
Comissão Europeia até 15 de Setembro.