Público -
25 Jul
08
Refeições e manuais escolares gratuitos para
quase 400 mil alunos a partir de Setembro
Isabel Leiria
Bolsas de mérito no valor de mil euros poderão ser
acumuladas com outros apoios sociais
O número de alunos a beneficiar de refeições e
manuais escolares gratuitos (ou quase) vai passar de
185 mil para 400 mil já a partir de Setembro. O
anúncio sobre o alargamento dos apoios atribuídos às
famílias mais carenciadas (do escalão A da acção
social escolar) tinha sido feito em Julho por José
Sócrates e foi agora concretizado num despacho do
Ministério da Educação (ME) divulgado ontem, ficando
a saber-se que terá efeitos já para o próximo ano
lectivo.
O número de estudantes do escalão B - que beneficiam
de ajudas equivalentes a metade das recebidas pelos
do escalão A - aumentará de 44.500 para 311 mil.
Tudo somado, as alterações no cálculo dos
beneficiários da acção social escolar (ASE), que
passará a ser feita em função dos abonos de família,
fazem triplicar os alunos apoiados para um total
superior a 700 mil. "É um alargamento sem
precedentes desde que existe o sistema da acção
social escolar. Mais de 50 por cento dos alunos do
básico e secundário passam a ter apoios", diz Jorge
Pedreira, secretário de Estado Adjunto e da
Educação.
Pedreira destaca a evolução no ensino secundário,
onde a ASE tem tido um "carácter residual". Se no
ano passado havia 25 mil beneficiários, o ME estima
que em 2008/2009 sejam 170 mil.
Mais 73 milhões de euros
No caso das refeições, a lei já previa a
comparticipação total para os alunos do escalão A; o
que muda é o número de beneficiários. Em relação aos
manuais escolares, para além do alargamento no
número de alunos abrangidos, o ME aumentou os
valores da comparticipação nos anos de escolaridade
que ainda não eram cobertos na íntegra pelos apoios
do Estado. "No caso do 5.º e do 7.º ano, por causa
dos manuais de Educação Física, Música e Educação
Visual e Tecnológica, o plafond atribuído não cobria
o custo de todos os livros. O que fizemos foi
aumentar o montante dos apoios nesses níveis de
ensino", explica Jorge Pedreira.
Em relação ao secundário houve também um aumento da
comparticipação, no valor de cinco por cento. Ou
seja, "quase o dobro" da inflação, cuja taxa passou
a servir de referência ao aumento dos manuais do
10., 11.º e 12.º (tal como acontecia no básico).
Mesmo assim, Pedreira admite que os apoios previstos
poderão, em alguns casos, não cobrir a totalidade
dos custos das famílias com a aquisição dos livros,
já que o preço varia muito consoante as disciplinas.
Para os alunos do escalão A no secundário, a
comparticipação prevista é 120 euros. E no 5.º ano é
100 euros.
Outra das novidades no diploma, que ainda vai ser
publicado em Diário da República, diz respeito à
atribuição das bolsas de mérito no ensino
secundário, cujo valor é fixado em mil euros por
ano. A estes apoios continuam a poder candidatar-se
apenas os alunos carenciados e que tenham obtido, no
ano anterior, uma classificação média igual ou
superior a quatro no 9.º ou a 14 valores no 10.º ou
11.º.
A diferença é que as bolsas passam a poder ser
acumuladas com outros apoios (manuais, refeições,
alojamento) que o aluno esteja a receber.
Estas medidas representam "um contributo fundamental
para a integração social, para a promoção do sucesso
e prevenção do abandono escolar", defende o ME , que
passará a gastar mais 73 milhões de euros com a ASE:
43 milhões para as refeições e 30 para os manuais
escolares.
O secretário de Estado Jorge Pedreira diz que este
alargamento "não tem precedentes" na acção social
escolar.