Jornal de Negócios -
28 Jul
08
Bancos cortam nas avaliações das casas
Nuno Carregueiro
As avaliações das instituições financeiras aos
imóveis associados aos empréstimos para crédito à
habitação continuam a baixar, tendo a redução
atingido 4,6% no segundo trimestre. Sinal de que os
bancos estão mais restritivos na concessão de
crédito e que os preços do imobiliário estão em
queda.
De acordo com o inquérito à avaliação bancária, hoje
publicado pelo Instituto Nacional de Estatística, o
valor médio de avaliação bancária de habitação, em
Portugal Continental, fixou-se, no segundo trimestre
de 2008, em 1.186 euros/m2, correspondendo a um
decréscimo trimestral de 2,8% e homólogo de 4,6%.
Esta queda mostra que os bancos estão mais
cautelosos na concessão de crédito à habitação,
avaliando os imóveis em valores mais reduzidos
quando concedem crédito à habitação. Por outro lado,
mostra que a crise que o sector atravessa a nível
mundial, está também a afectar Portugal.
Segundo o INE, o valor das avaliações reduziu-se em
todas as regiões, com a queda mais intensa a
verificar-se no Alentejo (9,5%) e menor a
verificar-se no Algarve, região que continua a ter o
valor médio mais elevado (1485 euros/m2).
Apenas numa das 28 regiões NUTS III do Continente o
valor médio de avaliação bancária aumentou: Serra da
Estrela com 0,3%.
Na Área Metropolitana de Lisboa registou-se uma
diminuição de 3,6% e de 5,9%, em termos trimestrais
e homólogos, respectivamente, enquanto na Área
Metropolitana do Porto registou um decréscimo
trimestral de 3,7% e homólogo de 4,5%.
No caso dos apartamentos, o valor médio da avaliação
bancária no Continente diminuiu 3,3% face ao
trimestre anterior e 4,9% face ao trimestre
homólogo.
Já em relação às moradias, o valor médio de
avaliação bancária no Continente registou uma
variação trimestral de -0,4% (-2,2% no trimestre
anterior) e uma variação homóloga de -3,3% (-2,3% no
trimestre homólogo).
Na análise por tipologia, só nos apartamentos de
maior dimensão não se registou uma queda no valor
das avaliações. Nos apartamentos T2 e T3 a queda nas
avaliações foi de 3,8%.