Público última hora -
31 Jul
08
SPM diz que descida de notas a Matemática é uma
"anomalia"
Noutros anos as notas não desceram tanto da 1.ª para
a 2.ª fase. Professores falam de "injustiça". O
director do Gave mantém que houve "equidade" na
avaliação
A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) não tem
dúvidas. Se a média nacional da 1.ª fase dos exames
nesta disciplina foi este ano das melhores de sempre
e se a da 2.ª fase baixou muito, isso só tem uma
leitura: as provas de uma e de outra chamada tiveram
graus de dificuldade distintos. O que é
"extremamente injusto" para os estudantes. Mais: em
anos anteriores não se verificaram descidas tão
significativas, o que demonstra a "anomalia" do que
se passou desta vez, diz Nuno Crato, presidente da
SPM.
O Ministério da Educação (ME) divulgou no início do
mês os resultados da 1.ª fase dos exames da prova de
Matemática A. E foi uma surpresa: os alunos internos
(que frequentam a escola todo o ano) atingiram a
melhor média de sempre - 14 valores - e mesmo a
média global (que inclui as notas dos alunos
externos, que desistiram ou são repetentes) foi das
mais altas: 12,5.
Anteontem, o ME divulgou os resultados da 2.ª fase,
à qual se apresenta quem não fez provas na 1.º ou
quem quer melhorar a nota. A média dos internos
baixou para 10,6; a média global foi de 8,9 valores.
E 24 por cento dos alunos reprovaram.
A SPM já tinha alertado para o facto de a prova
apresentada na 2.ª fase ter sido "francamente" mais
difícil. E agora reitera o que disse: "Alunos com
níveis de conhecimento semelhantes são colocados por
estes exames com classificações muito diferentes e,
portanto, com possibilidades de acesso ao ensino
superior muito díspares". O tombo registado este ano
não tem antecedentes em anos anteriores. "Em 2007
até houve uma melhoria da média dos internos na 2.ª
fase", lembra Nuno Crato.
Os relatórios do Júri Nacional de Exames confirmam:
no ano passado, a média nacional dos internos na
prova de Matemática melhorou quatro décimas da 1.ª
para a 2.ª fase; em 2006, baixou uma décima. Este
ano, a descida foi bem maior: 3,4 valores.
Carlos Pinto Ferreira, director do Gabinete de
Avaliação Educacional (Gave), acusa a SPM de estar a
"usar a Matemática para fazer política". E continua:
"Tipicamente, os resultados da 1.ª fase são melhores
do que os da 2.ª, uma vez que as populações de
alunos que vão a uma e a outra são diferentes".
Números: o exame de Matemática A foi realizado, na
1.ª fase, por cerca de 26 mil alunos internos e
cerca de 11 mil externos. Já na 2.ª fase, houve dez
mil externos e 6500 internos. "Quando há muitos
alunos externos é expectável que as notas baixem.
Com populações diferentes, os resultados são,
obviamente, diferentes", o que explicará a descida
da média global.
Não há explicação objectiva
Mas também a média dos
internos desceu muito, admite. Esta descida de 3,4
valores é, ainda assim, na opinião de Pinto
Ferreira, "aceitável e não coloca problemas de
equidade - o que não quer dizer que não mereça um
estudo mais aprofundado".
Na prática, continua o director do Gave - o
organismo responsável pela elaboração das provas -,
é difícil dizer com rigor o que explica a variação
das notas dos alunos internos. Seja este ano ou
noutros anos.
"Rigorosamente, o que posso dizer é que não há
razões para dizer que as diferenças se devem às
provas. Por isso infiro que se explica pela
população: pode haver vários factores que levam os
alunos internos a escolher a 1.ª ou a 2.ª fase", mas
não há "estatísticas" sobre as motivações dos
estudantes que mostrem, por exemplo, que os alunos
mais fracos tendem a fazer exame na 2.ª fase, ou que
se passa o contrário, continua.
Uma coisa é certa, sublinha: "Pode dizer-se que os
exames da 1.ª e da 2.ª fase são provas gémeas porque
foram elaboradas na mesma altura e pela mesma equipa
[de peritos], com graus de dificuldade semelhantes".
A Associação de Professores de Matemática não está
convencida. "As provas não são comparáveis e estes
números dizem muito pouco sobre o que os alunos
sabem", diz a presidente Rita Bastos.
Hoje, os estudantes que esperavam pela afixação dos
resultados da 2.ª fase dos exames nacionais podem
começar a candidatar-se ao ensino superior.
A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Irene
Silveira, renunciou ontem ao cargo por motivos de
saúde, disse à agência Lusa fonte da OF. Não foram
adiantados mais pormenores sobre a renúncia de Irene
Silveira, que ocupava o cargo desde há um ano.