Diário de Notícias -
31 Jul
08
Associações falam em injustiça nas provas
Pedro Sousa Tavares
Exames nacionais. Grandes flutuações nas médias das
duas fases
Professores de Português e
Matemática dizem que alunos foram prejudicados
A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) e a
Associação de Professores de Português (APP)
alinharam nas críticas às "disparidades" entre os
exames da 1.ª e 2.ª fase, considerando que os alunos
foram avaliados com dois pesos e duas medidas.
No caso da Matemática, a 1.ª fase cotou-se por uma
excepcional média de 12, 5 valores (14 entre os
alunos internos), com apenas 7% de negativas. Já a
2.ª ficou-se pelos 8,9 de média - abaixo até do ano
passado - com 25% dos estudantes a chumbarem.
Diferenças que, em comunicado, a SPM considerou
serem a consequência lógica das situações que vinha
denunciando: "Este gabinete, composto por
professores de Matemática do ensino básico,
secundário e superior e contando com o apoio de
especialistas em avaliação educativa, criticou o
exame da primeira fase por ser demasiadamente
elementar, e afirmou que o da segunda fase, apesar
de acessível, era de um grau de complexidade
marcadamente superior".
Para a SPM, o resultado é um contexto "extremamente
injusto" para os alunos, nomeadamente os que fizeram
a prova da 2.ª fase, "com possibilidades de acesso
ao ensino superior muito díspares".
No Português, a tendência foi inversa, com as médias
a subirem de 9,7 valores para 11,3 entre uma prova e
a outra. Mas, para a APP, as consequências são em
tudo semelhantes: "Criou-se uma situação de
injustiça em relação aos alunos que foram à 1.ª fase
e fizeram uma prova cheia de ambiguidades", disse ao
DN Edviges Ferreira, desta associação. "Esta segunda
prova, muito mais acessível e muito mais clara, teve
como consequência o regresso da disciplina às médias
normais", acrescentou.
Não foi possível obter uma resposta do Ministério da
Educação.