Público - 20 de Junho
Mulheres Gastam Cinco Horas com a Casa e Filhos
INE divulga dados
Apenas uma família em cada sete dispõe de "empregada ou mulher
a dias" As mulheres portugueses dedicam em média cinco horas
diárias a tratar da casa e dos filhos, rotinas pesadas que se mantêm
predominantemente femininas, já que aos seus companheiros ocupam apenas
duas horas por dia.
Estes dados, divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística
(INE), surgem no âmbito do "Inquérito à Ocupação do
Tempo" realizado em 1999.
Segundo o estudo, os portugueses ainda recorrem pouco aos meios
externos disponíveis para suavizar os trabalhos domésticos. Apenas uma
família em cada sete dispõe de "empregada ou mulher a dias"
e, desse grupo privilegiado, a maioria (61 por cento) beneficia dos seus
serviços por um tempo médio semanal não superior a nove horas.
A popularidade do pronto a comer
Outros substitutos presentes no mercado que permitem
"libertar" as famílias de tarefas tipicamente caseiras, como
o tratamento da roupa, a compra de comida confeccionada e a encomenda de
compras, têm ainda uma difusão muito restrita em Portugal, de acordo
com o INE. De facto, 96 por cento dos inquiridos nunca recorreram a uma
empresa de passagem de roupa a ferro e 97 por cento nunca pediram para
receber em casa as compras do supermercado. O consumo de refeições
prontas parece ser um pouco mais popular, mas ainda assim apenas 10 por
cento dos portugueses afirmou usar esse serviço "com frequência
ou algumas vezes".
A solidariedade interfamílias - que representa um terceiro tipo de
apoio às tarefas domésticas - só beneficia 13 por cento da
população, fundamentalmente os indivíduos mais jovens e os mais
idosos. Limpar a casa, preparar refeições, fazer compras, tratar da
roupa, dar banho aos filhos a ajudá-los nas tarefas escolares são
algumas das práticas diárias a conciliar com os horários laborais,
mais ou menos rígidos consoante a ocupação profissional.
O inquérito do INE apurou que os portugueses mais madrugadores são
os agricultores e, logo depois, os operários, que por sua vez partilham
com os trabalhadores administrativos uma maior rigidez nas horas de
entrada e saída.
Os quadros superiores são os que começam mais tarde as actividades
de índole profissional, mas são também, de uma forma geral, os
últimos a regressar a casa.