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Público - 23 de Junho
População Portuguesa Só Cresceu Devido à Imigração
Por CATARINA GOMES
A população portuguesa cresceu 4,6 por cento na última década, o que fez com que Portugal tivesse ultrapassado a barreira dos 10 milhões de habitantes. Oitenta por cento do crescimento deve-se à imigração, e só 20 por cento ao saldo natural.
A população residente em Portugal ultrapassou a barreira dos dez milhões. De acordo com os resultados preliminares do Censos 2001, ontem apresentados no Instituto Nacional de Estatística (INE), o país tem 10,3 milhões habitantes, mais 4,6 por cento do que em 1991. Mas a população só cresceu devido à imigração.
Se o país contasse apenas com o saldo natural da década, não teria havido aumentos. A diferença entre os nascimentos e as mortes verificados na última década resultaram em 89.800 habitantes, um número bastante inferior ao crescimento verificado na população residente: cerca de 450.900. Ora só um saldo migratório positivo - que o INE estima andar em cerca de 361.100 - explica aquele crescimento (dados disponíveis em "
http://www.ine.pt ).
Embora só os resultados definitivos, que serão conhecidos no final de 2002, venham dizer em que zonas estão os imigrantes e há quanto tempo se encontram no país, este é o primeiro recenseamento geral da população em que Portugal surge definitivamente como país de imigração. Oitenta por cento do crescimento deve-se à imigração, e só 20 por cento ao saldo natural. Assim, a seguir a uma relativa estabilização populacional sentida nos Censos de 1981 e 1991, há agora uma ligeira subida.
Mas enquanto a população geral apresenta um crescimento moderado, as famílias e alojamentos têm aumentos considerados grandes: 18,5 por cento e 20,5, respectivamente. Estas percentagens andam quase a par, refere o responsável pelo Gabinete do Censos 2001 Fernando Casimiro, o que poderá indiciar que a taxa de alojamentos ocupados como residência habitual poderá estar a aproximar-se do valor 1. Ou seja, em cada alojamento tenderá a existir apenas uma família, o que não acontecia até então.
A atomização da dimensão familiar média gerou uma grande pressão no sector da habitação. Mas apesar de, na última década, se ter sentido um crescimento significativo de alojamentos e edifícios, não igualou o dos anos 80. O número de edifícios aumentou 11 por cento em relação ao Censos de 1991, mas o valor da década anterior tinha sido de 14 por cento; o de alojamentos desceu de 22 por cento para 20 por cento.
A relação entre o crescimento populacional e o aumento da habitação é linear na maior parte dos casos. O Algarve e Lisboa e Vale do Tejo foram das regiões em que mais cresceu o número de alojamentos e edifícios, em consonância com o "boom" populacional. Mas é curioso verificar alguns desequilíbrios a este nível. Na Madeira houve um decréscimo de 4,3 por cento na população e os alojamentos aumentaram 17,4 por cento.
Outras tendências da última década saem reforçadas com estes novos dados. Por exemplo, os grandes crescimentos populacionais continuam a verificar-se no litoral. O Algarve é a região que mais cresce, 14,8 por cento, seguida do norte, com 6 por cento e Lisboa e Vale do Tejo, com 4,8 por cento. Numa situação "explosiva" encontram-se concelhos suburbanos como a Maia, que cresceu 28 por cento, e Sintra com 39 por cento, o que vem reforçar a tendência de empobrecimento populacional das cidades do Porto e de Lisboa em detrimento dos concelhos envolventes.
Embora a tendência de desertificação do interior continue a ser uma constante - o Alentejo é das regiões que mais perde habitantes -, a ministra do Planeamento Elisa Ferreira, que esteve presente na apresentação dos dados, apontou para a existência de pólos dinamizadores situados em algumas capitais de distrito do interior. Bragança. Chaves, Mirandela, Viseu e Évora são exemplos em que a perda populacional abrandou. Em seu entender, tal deveu-se a factores como a construção de pólos universitários, a criação de melhores acessibilidades e aos fundos comunitários de apoio ao interior.
E também no litoral algo está a mudar, enfatizou a governante, chamando a atenção para regiões onde o aumento demográfico andou entre os 10 e 20 por cento, a par das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. É o caso da zona do Cávado, em torno de Braga, da península de Setúbal, do Pinhal litoral (região de Leiria) e do Algarve. Criaram-se outras opções no litoral, disse Elisa Ferreira.
Portugal continua ainda a ser um país com mais mulheres que homens: existem, em 2001, 94 homens por cada 100 mulheres, quando em 1991 eram 93.
População Portuguesa Só Cresceu Devido à Imigração
População portuguesa (2001)
| Total |
10.318.084 |
|
| |
|
|
| Norte |
3.680.379 |
35,7 |
| Centro |
1.779.672 |
17,2 |
| Lx Vale Tejo |
3.447.173 |
33,4 |
| Alentejo |
534.365 |
5,1 |
| Algarve |
391.819 |
3,8 |
| Açores |
242.073 |
2,4 |
| Madeira |
242.603 |
2,4 |
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