Público - 24 de Junho

Sida
O Caminho Certo É Ter Uma Sexualidade Mais Responsável 

A propósito do combate à epidemia da sida, D. José Policarpo cita Nelson Mandela para recordar que este também defendeu que a melhor maneira de evitar a doença é uma sexualidade estável.
 

O documento fala das doenças sexualmente transmissíveis, dos riscos e dos problemas inerentes à nova atitude perante a sexualidade. Como é que a Igreja pode contribuir para evitar a propagação da sida? 

Pela doutrina e pela educação das pessoas para uma sexualidade responsável. Faz-me muita impressão que aqui não haja a coragem que Nelson Mandela teve na África do Sul: como Presidente da República, disse que a melhor maneira de evitar a sida é ter uma sexualidade estável, com um único parceiro. Ou se educa as pessoas a saberem viver a sua sexualidade com um mínimo de riscos ou então a situação vai-se agravar. 

De resto a Igreja colabora e está a colaborar na sua maneira própria. Não nos venham pedir para mudar a nossa compreensão da liberdade e do equilíbrio da pessoa humana na sua vida sexual. Nós temos uma doutrina acerca do que significa o sexo como plenitude e como caminho de plenitude. Quem nos ouvir, certamente que fica mais precavido. Diante da sida, a humanidade apanhou um susto. Eu até compreendo que se use tudo o que possa para evitar a propagação, mas ao menos que se diga também "o caminho certo é o de ter uma sexualidade mais equilibrada, mais responsável, saber com quem a pratica, ter uma relação estável". Mas as pessoas têm medo que isso seja moralista... 

Há padres e freiras que trabalham neste campo e que admitem, para lá da doutrina da Igreja, o uso do preservativo... 

Pode ser um dos meios e percebo que as campanhas oficiais de prevenção introduzam esse elemento. Não me peçam é que eu esteja de acordo. Se estão à espera que a Igreja declare a canonização do preservativo, não vamos por aí. E se têm isso como único meio de prevenção, também não irão longe, porque é uma questão de educação social. 

Mas pode ser um meio complementar?... 

É, está a ser, e compreendo que surja mas campanhas de prevenção. Mas não se pode ficar por aí, tem de se inserir essas campanhas num contexto de responsabilidade. 
 

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