Público - 6 de Junho
Os "Media" Influenciam, mas as Pessoas "Não São
Robots"
Por TERESA MATOS
Maxwell McCombs, um dos fundadores da teoria do agendamento, que
procura estudar os efeitos da comunicação social, acredita no poder de
influência dos "media", mas não de uma forma incondicional
"As pessoas não são robots, isto é, não são programadas pelos
meios de comunicação social, mas são muito influenciadas por
estes." É desta forma que Maxwell McCombs, professor
norte-americano e um dos "pais" - juntamente com Donald Shaw -
da teoria do agendamento ("agenda-setting", em inglês) avalia
a influência dos "media" sobre as pessoas.
Maxwell McCombs esteve a em Portugal, a convite da Escola Superior de
Comunicação Social, de Lisboa, onde anteontem proferiu um seminário
sobre "Investigação e Agenda-Setting". O agendamento é uma
teoria que defende que "os elementos proeminentes da imagem do
mundo elaborada pelos "media" tornam-se também proeminentes
na imagem que as pessoas têm do mundo".
Para o académico norte-americano, as pessoas interessam-se
essencialmente pelos assuntos que foram tratados pelos
"media". Este seria o primeiro nível de influência, mas
McCombs apresentou ainda mais dois, na sessão pública de anteontem.
"Os meios de comunicação não só nos dizem o que pensar, mas
como devemos pensar, e talvez até o que devemos fazer sobre isso",
afirmou, sintetizando o seu entendimento sobre os níveis de influência
dos "media".
Na mesma sessão, Maxwell McCombs apresentou os resultados de um dos
seus estudos, realizado em parceria com Esteban Lopez-Escobar, professor
da Universidade de Navarra, e que também participou na sessão.
Efectuado em 1996, quando das eleições legislativas em Espanha, o
estudo demonstrou que
havia uma correlação
"positiva e significativa" entre a cobertura noticiosa da
campanha e as opiniões das pessoas sobre os candidatos na região de
Navarra.
O mesmo estudo revelou ainda um outro dado significativo: o menor
índice de correlação ocorreu com a TVE (televisão pública
espanhola). Para Maxwell McCombs, isso não constituiu qualquer
surpresa. "A influência das televisões é menor que a dos
jornais", afirmou, explicando que isso se deve ao facto de, na
maioria dos casos, as televisões estarem sob controlo governamental ou
outro. E as pessoas, acrescentou, desvalorizam a informação
proveniente desses órgãos.
Mas Maxwell McCombs não acredita na influência incondicional dos
meios de comunicação social. O caso Clinton-Lewinsky é talvez o
exemplo mais flagrante. Apesar da insistência dos "media" no
tema, os cidadãos norte-americanas assumiram uma posição distinta da
que era esperada pelos órgãos de informação. "Nem tudo o que os
'media' falam é falado pelas pessoas", concluiu.