| Agência Financeira - 3 Jun
04
Famílias numerosas pagam
água mais barata em cada vez mais autarquias
Associação quer ver regime alargado a todo o
país
Paula Gonçalves Martins
São cada vez mais as autarquias que cobram
tarifários de água mais baixos às famílias
numerosas.
Entre os concelhos aderentes encontram-se
Sintra, Coimbra, Famalicão, Santarém e Porto,
todas com tarifas da água adaptadas a realidade
das famílias numerosas.
A fim de se dissuadir o consumo excessivo de
água, a tarifação é feita segundo escalões de
consumo, com valor crescente. Uma realidade que,
para a Associação Portuguesa de famílias
Numerosas (APFN), e «uma vez que não entra em
linha de conta com a dimensão da família, esta
tarifação penaliza fortemente as famílias mais
numerosas», afirmou fonte da associação à
Agência Financeira.
A mesma fonte, a título de exemplo, explica que,
em alguns concelhos, «uma família de duas
pessoas vê a sua factura agravada em 19%, apenas
porque a água que cada um consome chega através
do mesmo contador. No caso de uma família com 4
pessoas, o custo já é agravado em 62%; numa
família de 6 pessoas, o valor médio por m3 já é
mais do dobro. Repare-se na flagrante injustiça:
uma família com 6 pessoas forçosamente tem um
consumo 6 vezes superior ao de uma habitação só
com uma pessoa, mas a sua factura é 12 vezes
superior, só porque vivem na mesma casa».
A APFN tem vindo a bater-se pela criação da
Tarifa Familiar da Água (TFA), que consiste em o
primeiro escalão ser igual a n x 3,5 m3, onde n
é o número de elementos da família; manter-se
constante a diferença entre os escalões
seguintes ou, em alternativa, existir apenas um
segundo escalão com um custo muito superior ao
do primeiro; as famílias candidatas terem que,
anualmente, fazer prova da sua dimensão, através
da entrega de cópia da declaração do IRS ou de
documento passado pela Junta de Freguesia, com
comprovativo de dispensa de entrega de
declaração do IRS.
Este tarifário foi criado, em regime
experimental, apenas para famílias com cinco ou
mais elementos. A associação quer agora ver a
solução implementada «em todo o país».
«A associação tem 3 mil associadas, um número
que está a crescer a um ritmo de mais de 100
famílias por mês, mas em Portugal, são mais de
300 mil as famílias com três ou mais filhos,
abrangendo 20% da população nacional», concluiu
a mesma fonte. |