Diário de Notícias - 4 Jun 04

Menos 803 escolas do 1.º ciclo em 2005
JOÃO PEDRO OLIVEIRA

O Ministério da Educação decidiu encerrar 803 escolas do 1.º ciclo do básico no próximo ano lectivo, 2004-2005. A suspensão de funcionamento destes estabelecimentos, em parte dos casos justificada pela falta ou inexistência de alunos, significa que, em apenas um ano, a rede pública deste nível de ensino sofre um corte de 14%. Em 2004, a tutela já havia encerrado outras 312 das antigas escolas primárias.

Através de despacho ontem publicado em Diário da República, a Secretaria de Estado da Administração Educativa decreta o encerramento de 301 escolas que registam «frequência reduzida ou inexistência de alunos» e de outras 499 que, como explica fonte do gabinete de Abílio Morgado, «por razões de optimização da rede», serão integradas em outros estabelecimentos. O mesmo é dizer que alunos, professores e pessoal não docente serão transferidos para outra instituição de ensino público. De resto, a tutela garante que «em nenhuma circunstância serão postos em causa os direitos do pessoal dos quadros».

Tal como o DN noticiou, em Outubro de 2002, a opção do Governo de encerrar todos os estabelecimentos do 1.º ciclo do ensino básico frequentadas por menos de 11 alunos vai implicar a suspensão de funcionamento de pelo menos 2 200 escolas até 2007. De acordo com a Secretaria de Estado, «estas escolas não são extintas, mas sim suspensas, pelo que qualquer uma delas poderá ser reactivada, no próximo ano, se houver condições para o fazer».

NORTE MAIS AFECTADO. Entre a lista de instituições que não voltam a abrir portas após o Verão, a maior parte encontra-se integrada na rede da Direcção Regional de Educação do Norte. Contas feitas, em 2005 haverá menos 387 estabelecimentos de ensino nesta região. Seguem-se a região de Lisboa, que em 2005 conta com menos 224 escolas públicas, e a região Centro, que perde outras 132. Alentejo e Algarve, com menos 41 e 19 estabelecimentos, respectivamente, são as regiões menos afectadas. Recorde-se, porém, que foi precisamente nestas regiões que, em 2002, se iniciou este processo de reordenamento da rede escolar. O Alentejo perdeu, então, meia centena de escolas e o Algarve cerca de 40.

Considerada por distritos, esta lista de encerramentos para 2005 revela que o de Braga é o mais afectado, perdendo um total de 235  instituições, o que significa um corte de 28% na rede pública ali existente. Num segundo lugar muito distante surge o distrito de Lisboa, que terá menos 84 escolas no próximo ano lectivo.

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