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Público - 7 Jun 04
Colégios Manifestam-se Contra Fim de Contratos de Associação
Por BÁRBARA WONG
O Ministério da Educação (ME) vai aumentar em 9,5 por cento a
despesa pública com os contratos simples, estabelecidos com os pais
que têm filhos nos colégios particulares. Estes acordos procuram ser
uma ajuda do Estado às famílias com rendimentos mais baixos e que
optam pelo ensino privado, e substituem os contratos de associação
com estes estabelecimentos de ensino, com os quais a tutela quer
acabar.
No próximo ano lectivo, o ministério vai disponibilizar mais dois
milhões de euros para abranger mais famílias. Para tal, tenciona
alargar os escalões em que as classifica com base nos seus
rendimentos e actualizar esse apoio que, actualmente, fica aquém
daquilo que os pais pagam. Recentemente, o ministério tinha
prometido actualizar estes apoios, afirmando que, pela primeira vez,
havia um programa político concreto com o objectivo de estabelecer
condições para que os pais tenham liberdade de escolher o projecto
educativo para os seus filhos.
Apesar disso, colégios e pais criticam a decisão da tutela e
marcaram uma manifestação para hoje, em Lisboa, para apelar à
manutenção do "direito constitucional das famílias à igualdade no
acesso ao sistema de educação", disse à Lusa o presidente da
Associação Nacional de Colégios com Contratos de Associação (ANCCA),
António Negrão.
O documento que vão entregar na residência oficial de Durão Barroso
"apela ao ministro da Educação para que mantenha o direito das
famílias, consagrado na Constituição, que garante a igualdade de
acesso de todos os alunos ao sistema educativo, sem restrições de
ordem económica". António Negrão acusa o Governo de estar a "enganar
os portugueses" quando diz que paga às famílias. "Se o ministro está
disponível apenas para pagar os contratos simples, de uma vez por
todas que assuma que há portugueses de primeira e de segunda",
declarou.
Também o Fórum para a Liberdade de Educação, que defende que escolas
públicas e privadas "sejam tratadas exactamente com a mesma
dignidade pelo Estado e os cidadãos possam optar livremente por
qualquer delas", se insurge com a decisão do ministério.
Mas a tutela está determinada em reforçar os contratos simples,
garantindo que pode melhorar as condições destes graças à cessação
de cerca de uma dezena de contratos de associação - celebrados entre
o ME e 90 colégios que leccionam em zonas onde não existe oferta
pública de ensino. A partir de Setembro, o ME, de forma gradual, vai
terminar os contratos com algumas escolas que estão perto de
estabelecimentos públicos.
Assim, em 2004/2005, uma dezena de colégios vai perder o
financiamento a uma turma de 5.º ano e assim sucessivamente, até que
o Estado deixe de pagar a totalidade. Contudo, o ministério assegura
que os alunos que actualmente usufruem de contrato de associação o
mantenham até ao final da escolaridade, ou, pelo menos, enquanto
frequentam a escola particular.
Recorde-se que a nova Lei de Bases da Educação prevê que escolas
públicas e particulares façam parte de uma mesma rede de serviço
público de educação básica e secundária e que deve ser totalmente
custeada pelo Estado. De fora ficam as escolas privadas situadas em
zonas onde existe oferta pública e, para essas, a resposta do
ministério são os contratos simples.
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