Diário de Notícias - 8 Jun 04
Pais exigem livre escolha de privadas
MARIA BRAZÃO
«Deixem-me
escolher a escola dos meus filhos»: este foi um dos muitos cartazes
de uma manifestação que ontem reuniu mais de dois mil pais, alunos e
professores em frente à Assembleia da República.
Os manifestantes contestavam a mais recente medida do Ministério da
Educação, na qual se prevê a redução dos contratos de associação com
os colégios particulares. Estes contratos, que constam na lei desde
1980, surgiram para colmatar a falta de vagas nas escolas públicas,
permitindo aos alunos estudar gratuitamente em instituições
particulares. A igualdade de todas as famílias no acesso à educação
estava assim - alegam - garantida.
Enquanto centenas de manifestantes agitavam cartazes e balões
coloridos, representantes das associações de pais encaminharam-se
para a Assembleia da República para entregarem um manifesto -
elaborado por várias associações de pais - ao primeiro-ministro, ao
presidente da Assembleia e à Comissão de Educação.
O manifesto pretendia «chamar a atenção para a incoerência que
existe entre a lei, que considera que o serviço público de educação
deve ser prestado pelas escolas públicas ou privadas, e a actual
decisão», explicou Paulo Rodrigues, presidente da Associação de Pais
do Colégio de São Teotónio, em Coimbra. Mário Costa, Presidente da
Associação de Pais do Colégio de São José, também de Coimbra,
acrescenta que «é necessário sensibilizar o poder político para uma
medida que foi tomada e que nós contestamos. Se de início atingiu
apenas Coimbra, agora alastra para o resto do país». E acrescenta
que «os contratos devem existir para permitir que qualquer pessoa
possa aceder livremente a qualquer escola».
Vinte e oito associações promotoras juntaram assim centenas de
pessoas que, através de diversos cartazes, apelavam à «defesa da
liberdade de ensino» e a uma «educação de qualidade para todos os
portugueses». Porque o «ensino privado também é serviço público».
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