Portugal Diário -
02 Jun 07
São precisas políticas de natalidade, diz Cavaco
Cenário de recessão demográfica assim o exige, diz
Presidente da República
O Presidente da República alertou, hoje, para o
facto de Portugal ter pela frente um cenário de
envelhecimento e recessão demográfica, que vai
«obrigar a pensar seriamente sobre as políticas de
natalidade», escreve a Lusa.
«Este fenómeno obriga-nos a pensar seriamente sobre
as políticas de natalidade, de protecção das nossas
crianças, de valorização dos nossos jovens e de
qualificação dos activos», avisou, frisando que se
trata de algo que «não encontra precedentes na
história do país».
O Presidente da República falava na sessão de
encerramento do Congresso das Misericórdias
Portuguesas que decorreu na Universidade do Minho,
em Braga, durante três dias, com a presença de
centenas de dirigentes.
População idosa na Europa vai subir de 20 para 40
por cento
Cavaco Silva lembrou que, em 2050, «a população
idosa e o seu peso relativo na Europa dos 25 deverá
duplicar, subindo dos actuais 20 para 40 por cento
do total da população».
Em sua opinião, «se estes números representam um
grande desafio para a União Europeia, muito maior o
será para Portugal, sobretudo se a tendência
demográfica - que em nada se afasta do padrão
europeu - não for acompanhada do crescimento da
riqueza, a um ritmo necessariamente superior ao
actual».
Cavaco Silva interrogou-se sobre o modo como o país
se vai preparar para o desafio, sobre «os recursos a
afectar a esta realidade e, sobretudo, sobre as
reformas que será necessário empreender para um
modelo social sustentável e que confira dignidade ao
envelhecimento».
«Não se trata apenas de pensões! Estamos a falar de
um modelo social que passa pela família, pelos
equipamentos da terceira idade, por um sistema de
saúde que, também ele, terá de enfrentar novos
desafios colocados pelo envelhecimento», salientou.
Realçou que tal desafio «não pode repousar
exclusivamente sobre a iniciativa do Estados e das
políticas públicas», sublinhando que há que
questionar como poderão os cidadãos, as instituições
de solidariedade e as comunidades locais contribuir
para um maior inclusão social dos grupos mais
vulneráveis.
Compromisso cívico para a inclusão
Acentuou que foi «com esse espírito» que propôs aos
portugueses «um compromisso cívico para a inclusão»,
no âmbito do Roteiro para a Inclusão que tem vindo a
desenvolver.
Na sua intervenção, Cavaco Silva lembrou «o capital
de experiência e de serviço público» acumulado pelas
misericórdias, frisando que tal «não pode ser
desprezado, especialmente quando os cenários de
desenvolvimento social exigem uma maior mobilização
e responsabilização das comunidades».
Assinalou que a pobreza, a miséria e a exclusão não
são fenómenos novos, mas frisou que «são novos os
contextos em que se desenvolvem», atingindo novos
grupos sociais.
Defendeu ser necessário repensar o futuro das
políticas sociais e o papel das instituições no
combate à exclusão, propondo três requisitos: «maior
cooperação entre as instituições, maior participação
dos cidadãos e maior descentralização de
competências e atribuições no domínio das políticas
públicas».