Público - 04 Jun 08

 

Portugal destoa numa União Europeia a dar sinais de retoma económica
José Manuel Rocha

 

O crescimento económico no conjunto dos países da União Europeia (UE) foi, no primeiro trimestre, um pouco mais sólido do que anteriormente se previa - 0,8 por cento face aos últimos três meses de 2007. Portugal destoa neste quadro. Nos primeiros três meses, o produto interno bruto (PIB) caiu 0,2 por cento.

 

Ainda ninguém arrisca que esta seja uma luz intensa a brilhar no fundo do túnel. Mas os dados ontem avançados pelo Eurostat revelam uma revisão em alta da estimativa rápida elaborada há três semanas - 0,7 por cento.

 

Um aumento, acima do previsto, do consumo privado, e uma espécie de levantar da cabeça do investimento privado contribuem para o resultado final do Eurostat - um ritmo de evolução do PIB que é mais do dobro do verificado no último trimestre do ano passado.

 

Mas a grande revelação é mesmo a economia germânica, a funcionar como nunca na lógica da locomotiva que puxa o comboio económico europeu. A riqueza criada nos três primeiros meses na Alemanha é 1,5 por cento superior ao que tinha sido o crescimento do PIB no quarto trimestre de 2007.

 

Portugal mantém o registo da primeira estimativa - uma quebra no volume de riqueza produzida de 0,1 por cento. Este é o segundo pior resultado do conjunto de 27 países que integram a União Europeia. Na cauda mesmo está a Estónia, com uma quebra da riqueza gerada de 1,9 por cento.

 

No topo da tabela, logo a seguir à Alemanha, encontra-se alguma lógica no ordenamento dos países. Os que apresentam um desempenho mais forte são os que aderiram mais recentemente à UE, como a Polónia (1,4 por cento), a República Checa (0,9) e a Eslováquia (2,1). Já os crescimentos mais ténues verificam-se no Centro e no Sul da Europa. Surgem, assim, como alunos mal comportados (não tão mal como Portugal, no entanto) a Espanha (0,3 por cento), a Itália (0,4) e a Holanda (0,2).

 

Apesar destas desigualdades, a Europa evidencia uma dinâmica superior à dos Estados Unidos (0,2 por cento no primeiro trimestre) e iguala o desempenho da economia japonesa.