Voz do Sado -
Jun
08
Casar-se na Igreja
Pe. Rodrigo Lynce de Faria
Era embaixador em São Petesburgo. Certo dia, teve
necessidade de fazer uma viagem urgente. Ela, ao
contrário do habitual, não o pôde acompanhar. Ficou
inquieta. Sabia que tinham casado para permanecerem
um ao lado do outro. O dia do compromisso, já
longínquo, continuava a ter uma grandíssima
influência na sua vida. Recordava as palavras como
se as tivesse pronunciado na véspera: «Recebo-te por
meu esposo e prometo ser-te fiel, amar-te e
respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e
na doença, todos os dias da nossa vida».
Era lógico que nas entrelinhas do solene compromisso
estava a “promessa” de viajar com ele, sobretudo se
essa viagem fosse mais demorada. Afinal, para ela, o
casamento era exactamente isso: a maior e mais
definitiva viagem que tinha decidido realizar com
ele até ao fim da sua vida.
Ficou inquieta ao pensar na intensa vida social do
marido. Arrependeu-se de não o ter acompanhado.
Resolveu escrever-lhe. Era o único modo que tinha de
fazer-se presente estando ausente. «Temo que o
convívio com princesas e embaixatrizes te faça
esquecer-te de mim, que sou uma mulher simples e sem
títulos, excepto o maravilhoso de ser só tua». Ele
não tardou em responder-lhe: «Esqueces, minha amada,
que casei contigo não só porque te amava, mas porque
tinha e tenho o propósito firme de te amar sempre,
cada dia mais, aconteça o que acontecer». Esta
resposta é atribuída a Otto von Bismarck (1815 –
1898), estadista prussiano e unificador da Alemanha.
Bismarck não tinha casado somente porque a amava,
mas com o compromisso de amá-la cada dia mais, em
todas as circunstâncias, até ao fim. “Casar com a
promessa de amar até ao fim” é uma expressão
comprometedora. Manifesta um amor genuíno, um amor
que possui o desejo de ser eterno. Só esse amor é
verdadeiro. Só esse amor pode gerar um casamento
forte diante das dificuldades.
Casar-se é exactamente isso. É estar disposto a
prometer a alguém: “Tu, só tu, para sempre, aconteça
o que acontecer”. Somente este tipo de casamentos é
que a Igreja admite. Se alguém quer uma união a
prazo, solúvel, à experiência, deve procurá-la
noutro sítio. Casar-se na Igreja é casar-se como
Deus quer. O casamento é uma ideia Sua. Só funciona
de verdade se for vivido de acordo com a Sua Lei.
Por isso, os noivos manifestam o seu desejo de se
casarem na Igreja, porque desejam comprometer-se
diante de Deus. São conscientes da fragilidade do
seu amor e do perigo sempre presente do egoísmo e do
orgulho. Pedem a Deus que os ajude a serem fiéis ao
seu compromisso.
Casar-se na Igreja deveria ser sempre uma opção de
fé, e não somente a procura de um lugar mais
romântico e solene que a conservatória do registo
civil. Casar-se na Igreja significa casar-se como
cristãos. Significa reconhecer que a Igreja é parte
essencial da nossa vida. Significa reconhecer que “a
Igreja é nossa Mãe e uma Mãe deve ser amada” (João
Paulo II).