Diário IOL -
20 Jun
08
Matemática: exame «elementar»
Sociedade Portuguesa de Matemática diz que «a
nivelação por baixo» poderá ter custos futuros
«muito graves»
A Sociedade Portuguesa de Matemática considerou esta
sexta-feira que o exame nacional do 9º ano da
disciplina é um dos mais fáceis, «senão o mais
elementar», dos últimos anos, sublinhando que «a
nivelação por baixo» poderá ter custos futuros
«muito graves», escreve a Lusa.
No seu conjunto, o nível desta prova é certamente
dos mais elementares - se não o mais elementar -
produzidos nos últimos anos nas provas nacionais de
Matemática. Se é verdade que muitos alunos e alguns
pais podem ficar satisfeitos com o facto, e se é
verdade que seja positivo que os jovens vejam as
questões matemáticas como alcançáveis, os custos
futuros podem ser muito graves», afirma a SPM, em
comunicado.
Perto de 100 mil alunos realizaram esta sexta-feira
o exame nacional de Matemática, que se realiza desde
2005. O ano passado, 72,8 por cento dos estudantes
tiveram nota negativa, quando em 2006 a percentagem
de chumbos no teste situava-se nos 63 por cento.
Para a SPM, aos alunos do final do terceiro ciclo
deveria «exigir-se» outro tipo de dificuldade,
exemplificando com a questão 1, «que se resolve
contando pelos dedos», a 3, que «pode ser facilmente
resolvida por alunos do 1º ciclo», ou a 6, que
«envolve percentagens tão simples que qualquer aluno
do 2º ciclo deveria ser capaz de resolver».
Matemática: nunca um exame foi «tão fácil»
Alunos de 4º e 6º ano melhoram a matemática
«Os conhecimentos testados não estão ao nível do que
se deveria esperar de um aluno no final do Ensino
Básico. Não são avaliados importantes tópicos que
devem ser dominados no 9º ano, como sistemas de
equações, proporcionalidade inversa, polígonos e
áreas de polígonos», entre outros.
Segundo a sociedade, não há em geral nenhum problema
em introduzir num teste problemas de matérias de
anos anteriores. No entanto, acrescenta, isso não
deve ser feito sistematicamente e quando feito deve
recorrer-se a conceitos, técnicas e algoritmos
correspondentes ao nível mais avançado.
«Não há problema, em geral, em ter numa prova
algumas questões muito elementares, mas é
pedagogicamente muito nocivo que todas ou quase
todas sejam», afirma a SPM.
Prova sem erros
Por outro lado, segundo a SPM, a prova hoje
realizada não contém «erros científicos nem
formulações duvidosas», o que afirma ser «muito
positivo». «A prova tem questões claras,
adequadamente formuladas e de resposta unívoca.
Algumas questões são interessantes e estão bem
concebidas».
«Salienta-se um progresso notório em relação a
práticas anteriores do ministério, que consistiam na
elaboração de questões demasiado palavrosas, de
interpretação intrincada e, por vezes, com
informação supérflua e enganadora», afirma a
sociedade.
Não fizeram «nenhuma apreciação negativa»
O director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE)
sublinhou, entretanto, que os professores indicados
pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) para
auditar o exame nacional do 9º ano da disciplina não
fizeram «nenhuma apreciação negativa» à prova.
«A prova foi auditada por dois professores da SPM
que não fizeram nenhuma apreciação negativa a este
exame, pelo contrário», afirmou Carlos Pinto
Ferreira, em declarações à agência Lusa.