Diário de Notícias -
30 Jun
08
Tráfego nos acessos a Lisboa em forte queda
Ana Suspiro
Leonardo Negrão
Crise. Tráfego rodoviário médio na Marginal atinge
um decréscimo de 8%, enquanto na IC-Frielas ronda os
2,3%. Já nas pontes sobre o Tejo a descida varia
entre os 3% e 4%. A escalada dos preços dos
combustíveis - gasolina subiu 11% desde Janeiro e
gasóleo 20% - e o menor poder compra justificam a
decisão de andar menos de carro
Subida de preços dos combustíveis retrai condutores
O tráfego rodoviário nos principais acessos a Lisboa
registou fortes quebras no mês de Maio face a igual
mês do ano passado. Os dados disponibilizados pela
Estradas de Portugal contabilizam o tráfego médio
diário em cada mês e apontam para quedas homólogas
que vão desde os 2,3% no IC-Frielas até aos 8% da
Marginal. As travessias do Tejo também revelam uma
baixa importante do tráfego médio diário em Maio,
que chega a 4,2% na Ponte Vasco da Gama e se fica
pelos 3,3% na Ponte 25 de Abril.
A subida do preço dos combustíveis e consequente
queda no consumo, sobretudo por parte dos automóveis
ligeiros, é uma das explicações possíveis para esta
evolução, mas não é a única. Fonte oficial da
Lusoponte, concessionária das travessias do Tejo em
Lisboa, lembra que este ano houve menos dois dias
úteis em Maio (mais um feriado e um dia de fim-de--semana)
do que no mesmo mês de 2007. E estas variações têm
um efeito importante no número de automóveis que
atravessa as pontes e que é muito maior em dias de
trabalho. Outro factor realçado é o facto de neste
ano o tempo não ter estado tão bom como em Maio do
ano passado, o que não potenciou fins-de-semana na
praia, que contam muito para o movimento na Ponte 25
de Abril.
Estes factores também poderão ajudar a explicar as
quedas verificadas em outros acessos de Lisboa, pelo
que será preciso esperar mais tempo para avaliar se
esta é uma tendência consolidada. A confirmar-se,
coincide com uma altura em que o Governo está a
lançar um superpacote de concessões para mais dez
auto-estradas em Portugal, um investimento que está
a ser questionado sobretudo pela nova liderança do
PSD.
A baixa ou pelo menos desaceleração do crescimento
do tráfego rodoviário em Portugal, por causa do
aumento do preço dos combustíveis, é já uma certeza
para uma das maiores casas de investimento mundial.
A Merril Lynch justificou na última semana uma
revisão em baixa das perspectivas da Brisa, a maior
concessionária nacional, por causa do risco de
tráfego. A previsão de crescimento do tráfego passou
de 3,6% para 1% este ano e de 3,9% para 1% no
próximo ano. A Merril Lynch fundamentou esta
estimativa com o facto de a economia portuguesa,
devido a um PIB per capita mais baixo, estar mais
vulnerável ao efeito do aumento dos combustíveis,
uma vez que sobra menos disponibilidade financeira
para suportar a subida desta factura. Desde Janeiro,
o preço médio da gasolina subiu 15 cêntimos por
litro ou 11% e o gasóleo aumentou 24 cêntimos, mais
20%. A procura de combustíveis, em particular da
gasolina, está a descer.
A recomendação da Merril Lynch provocou fortes
quedas nas cotações da Brisa, com a empresa a perder
mais de 10% do seu valor em bolsa numa semana que
também foi muito negativa para todos títulos. Os
dados recentes de tráfego da Brisa só serão
anunciados nos resultados do primeiro semestre da
companhia.