22 de Maio de 2000 -  Comércio do Porto

Portugal dos pequeninos em relação à Alemanha

Subsídio familiar “é uma anedota”

O exemplo é escandaloso, mesmo depois de ter-se em conta as diferenças abissais que separam os dois países da União Europeia: o subsídio familiar na Alemanha é mais de seis vezes superior ao valor estipulado em Portugal.

Para que fique claro, quer isto dizer que uma família portuguesa tem de ter seis filhos para alcançar um subsídio idêntico ao que recebe uma família alemã com apenas um filho. Seguindo o mesmo raciocínio, um casal alemão com quatro filhos recebe sensivelmente o mesmo que um português... com 28 filhos.

“Ao contrário do que se passa na Alemanha, Portugal não incentiva os casais a terem filhos. Prova disso é que o nosso subsídio de família é uma verdadeira anedota”, lamenta o presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas. Para Fernando Castro, a situação tem tanto de dramático como de risível. “Muita gente discute se a inflação é de 1,5 ou 2 por e poucos pensam que um casal só com uma criança aceita que a sua inflação aumente até 50 por cento...”

Segundo este responsável, o subsídio familiar deveria ser encarado como uma forma de a sociedade “premiar os casais que aceitam ter uma família grande em vez de passarem férias nas Caraíbas”.

Entretanto, perfila-se alguma mudança no horizonte - na passada quarta-feira, durante a sua intervenção na Assembleia da República, o primeiro-ministro deixou a promessa de um aumento do abono da família nos casais ou nas famílias monoparentais com mais de dois filhos.

Por seu turno, Fernando de Sousa, do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade, defende a diferenciação da sociedade no que toca à atribuição do abono de família, que deveria “aumentar de uma forma proporcional em função do número de filhos” e “deixar de ser atribuído a partir do momento em que o agregado familiar apresenta rendimentos elevados. Seria o mais sensato”.

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