O exemplo é escandaloso, mesmo depois de ter-se em conta as
diferenças abissais que separam os dois países da União Europeia: o
subsídio familiar na Alemanha é mais de seis vezes superior ao valor
estipulado em Portugal.
Para que fique claro, quer isto dizer que uma família portuguesa tem
de ter seis filhos para alcançar um subsídio idêntico ao que recebe
uma família alemã com apenas um filho. Seguindo o mesmo raciocínio,
um casal alemão com quatro filhos recebe sensivelmente o mesmo que um
português... com 28 filhos.
Ao contrário do que se passa na Alemanha, Portugal não incentiva
os casais a terem filhos. Prova disso é que o nosso subsídio de
família é uma verdadeira anedota, lamenta o presidente da
Associação Portuguesa de Famílias Numerosas. Para Fernando Castro, a
situação tem tanto de dramático como de risível. Muita gente
discute se a inflação é de 1,5 ou 2 por e poucos pensam que um casal
só com uma criança aceita que a sua inflação aumente até 50 por
cento...
Segundo este responsável, o subsídio familiar deveria ser encarado
como uma forma de a sociedade premiar os casais que aceitam ter uma
família grande em vez de passarem férias nas Caraíbas.
Entretanto, perfila-se alguma mudança no horizonte - na passada
quarta-feira, durante a sua intervenção na Assembleia da República, o
primeiro-ministro deixou a promessa de um aumento do abono da família
nos casais ou nas famílias monoparentais com mais de dois filhos.
Por seu turno, Fernando de Sousa, do Centro de Estudos da
População, Economia e Sociedade, defende a diferenciação da
sociedade no que toca à atribuição do abono de família, que deveria
aumentar de uma forma proporcional em função do número de filhos
e deixar de ser atribuído a partir do momento em que o agregado
familiar apresenta rendimentos elevados. Seria o mais sensato.