22 de Maio de 2000 - Comércio do Porto

Estudo elaborado por docente na “Católica” do Porto

IRS penaliza casais com mais de três filhos

O primeiro-ministro anunciou no Parlamento, na passada quarta-feira, que iriam ser desenvolvidas novas regras para o IRS. Talvez esta promessa seja a boa noticía por que há muito aguardam os casais com mais de três filhos, que se sentem fortemente penalizados com a a forma como o imposto é actualmente estipulado.

A denúncia parte da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) e tem por base um estudo elaborado pela economista Luísa Anacoreta Correia, docente na Universidade Católica do Porto. O trabalho é apresentado no dia 1 de Junho em Lisboa, numa conferência promovida pela APFN e subordinada ao tema “Família e Fiscalidade”.

Segundo a associação, “os efeitos no pagamento de imposto actualmente previstos no Código do IRS relativos ao crescimento do agregado familiar são de tal forma insignificantes e desproporcionais que levam a concluir que o sistema fiscal português até penaliza o crescimento da família”.

A injustiça prova-se, sustenta, pelo facto de o IRS não diminuir de forma progressiva consoante o número de filhos - “O Estado incentiva fortemente o primeiro filho, cerca de quatro vezes mais do que o quarto ou o

quinto”. A APFN critica também a forma como são determinados os escalões, através do rendimento dos casais sem se olhar ao número de filhos, entre outras questões.

Ao COMÉRCIO, Fernando Castro, presidente da associação, defendeu, em alternativa ao actual sistema de IRS português, a figura deste imposto vigente em França, “onde se optou pelo sistema de divisão do rendimento com base num coeficiente familiar. Enquanto em Portugal as contas fazem-se mediante a divisão por dois, em França um casal com um filho divide por 2,5, com dois filhos divide por três e daí por diante”.

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