Correio da Manhã

5 de Maio de 2000

IGREJA QUER CASAIS COM FILHOS

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Em Fátima, durante a peregrinação, as crianças vão ter um lugar de destaque devido à beatificação de Jacinta e Francisco
LEIRIA (Delegação) - A Comissão Episcopal da Família (CEF) emitiu uma 'nota', a propósito da Semana da Vida, onde considera que a "ausência de filhos é a recusa da vida" e os casais sem descendentes representam o "Inverno da família".
O documento, assinado por D. António Monteiro, bispo de Aveiro e presidente da CEF, apresenta os pastorinhos de Fátima Jacinta e Francisco como exemplo de que em qualquer lar podem nascer "pequeninos" futuros santos.
Os "Pastorinhos de Fátima", a par dos temas "Vida" e "Família", são três das questões sobre as quais devem reflectir as comunidades cristãs na Semana da Vida, que decorre de 21 a 28 deste mês.
Uma reflexão que pode começar durante a visita do Papa João Paulo II à Cova da Iria, numa peregrinação onde os jovens deverão marcar uma forte presença, pois Sua Santidade vai beatificar duas crianças. As dioceses de todo o País estarão representadas em diversos momentos da visita, mas a maioria das crianças (mais de duas mil) participantes nas celebrações é da paróquia de Fátima e da diocese de Leiria.
Na 'nota' para a Semana da Vida, D. António Monteiro considera que "sem os filhos na família, cairemos sempre mais no que já deu em chamar-se o Inverno da família, da sociedade e da Igreja. A ausência dos filhos é simplesmente a recusa da vida".
Para o presidente da CEF, "os filhos a saltar, a rir, a correr, a brincar são, dentro do lar, na sociedade, na Igreja, o grande sinal do amor, da alegria, do acolhimento à vida, da Primavera, da esperança, do futuro do Mundo".
No documento, intitulado "A vida humana e os filhos na família", D. António Monteiro adianta que para os cristãos, e para além de tudo aquilo, "os filhos, como também a própria vida, são sobretudo um grande dom de Deus".

Uma bênção

"Cada um dos filhos que aparece no seio da família, na sua identidade, única e irrepetível, é uma palavra singular que Deus nos quer dizer", afirma o presidente da CEF, reforçando: "Cada um deles é mais uma prova, sempre actual, do amor que Deus nos tem, do amor com que Ele ama o Mundo. Enquanto encontrarmos berços nos lares, o Mundo terá sempre razões para viver".
Segundo D. António Monteiro, "os filhos, como também a própria vida humana que neles se faz pessoa, são isso mesmo. São uma bênção", e devem ser "a incarnação viva e histórica do amor que une pai e mãe".
D. António Monteiro salienta ainda que, "sendo os filhos essa maravilha, têm direitos fundamentais, que lhes assistem desde o seio da mãe, mesmo no caso de virem à luz com alguma deficiência".
Relacionando o tema da Semana da Vida com Fátima, o bispo de Viseu afirma que, "depois de fitarmos a Jacinta e o Francisco nos nossos altares, não esqueça ninguém que podemos ter, temos e teremos santos também entre os pequeninos dos nossos lares. A devoção aos pequeninos seria uma grande perspectiva para o futuro da humanidade".
A Semana da Vida começou na Igreja em Portugal há seis anos, em resposta a um apelo do Papa João Paulo II, para que cada país desenvolvesse por ano uma iniciativa "em favor da cultura da vida".
Este ano, a CEF e o Secretariado Nacional da Pastoral Familiar "propõem às comunidades cristãs e à sociedade portuguesa em geral" uma reflexão assente em três pilares: "A família, comunidade de amor e de vida, que se renova e se refresca nos filhos", "Os pastorinhos de Fátima, que são um bom exemplo de como a família, mesmo em condições difíceis, pode - e deve - gerar santos", e "A vida que se renova e robustece na geração de novas vidas, pois estas trazem, não só à família, mas a toda a sociedade, mais alegria, mais humanidade, mais esperança".

Carlos Ferreira

 

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