7 de Maio de 2000

ecclesia

Dia da Mãe

Mensagem da Comissão Episcopal da Família

No "Dia da Mãe" é natural que as mães se sintam felizes e orgulhosas pela opção que um dia fizeram de terem cada um dos seus filhos. Em alguns casos, lembram-se especialmente de sofrerem por um filho que já não está com elas, que seguiu uma opção de vida que não seria a sua ou que tem limitações ou dificuldades de qualquer espécie.

De todas as formas, é um dia especial para as mães.

Alguém dizia há tempos que ser mãe é a única opção de vida que é totalmente irreversível. Quem um dia foi mãe, nunca mais deixará de o ser, com tudo o que isso representa de capacidade de dar, de servir, de amar, de compreender e também de sofrer.

A Comissão Episcopal da Família saúda neste dia todas as mães.

Sois mães, como geralmente pensamos e deve ser, porque um dia desejastes ou aceitastes sê-lo. Esse foi, no entanto, apenas o primeiro passo da vossa opção. A partir daí, a necessidade de fazer opções multiplicou-se. O facto de terdes nas mãos uma pessoa que, de início, é totalmente dependente de vós, obrigou-vos a adaptar a vossa vida às suas necessidades. Depois, à medida que os vossos filhos crescem, as suas necessidades vão sendo diferentes e nem sempre vos sentis preparadas para um longo e difícil processo educativo dos vossos filhos.

A tornar mais difícil a vossa missão estão os falsos valores que hoje grande parte da sociedade assumiu: o desejo do imediato, a prioridade dada à riqueza material, a competitividade, tudo isto se opõe ao amor, à compreensão e à gratuidade que quereis comunicar aos vossos filhos. E muito da dedicação aos vossos filhos tem de ser fruto de enorme capacidade de vos privardes de muitas coisas desejáveis e legítimas.

Não podemos deixar de relacionar este Dia da Mãe do ano 2000 com o significado do mês de Maio e, em especial com o Grande Jubileu pelo nascimento de Jesus Cristo que estamos a celebrar.

Há 2000 anos, uma mulher como vós aceitou e se abriu à dita de ter um Filho que era Deus e esse facto marcou definitivamente toda a sua vida. Como muitas de vós, sofreu incompreensões, experimentou dificuldades, teve dúvidas, nem sempre compreendeu o Seu Filho, sofreu por O ver sofrer, mas teve a grande alegria de ver que Ele se entregou plenamente à sua missão.

Foi pelo "sim" desta Mãe, que o Filho de Deus se fez homem e salvou a humanidade. À maternidade de Maria está profundamente ligado este grande Jubileu. Mas ele está também profundamente ligado à maternidade de cada uma de vós, porque os vossos filhos são também, em Jesus Cristo, filhos de Deus, chamados a serem não apenas bons e saudáveis, mas sobretudos santos, como a Jacinta e o Francisco, duas crianças cuja mãe iniciou na fé e às quais a outra Mãe que todos temos ajudou a aprofundar e a viver heroicamente essa mesma fé em Deus.

A vossa missão de mães, cada uma nas suas circunstâncias próprias, é fundamentalmente a mesma: ajudar os vossos filhos a conhecer a Deus, a descobrir a sua vocação na Igreja e no mundo e a vivê-la generosamente. É a realização integral da sua vocação que os tornará realmente felizes. É isso que, certamente quereis para os vossos filhos.

Não tenhais medo de vos entregardes a esta maravilhosa tarefa de ser mãe. Tende a coragem de a assumir como a mais importante tarefa da vossa vida. É através dela que a vossa capacidade de amar, compartilhada com os vossos esposos, perdurará nos vossos filhos e na sociedade, mesmo para além do tempo das vossas vidas neste mundo.

† António Monteiro, Bispo de Viseu e Presidente da Comissão Episcopal da Família

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