APFN - 10 de Maio de 2001

Comunicado da APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas acerca das Propostas de Lei do PSD e BE relacionadas com o sistema educativo

O PSD e BE vão hoje levar à Assembleia da República duas propostas de lei sobre educação, com as quais a APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas se congratula e associa, não só pelo conteúdo e declarações efectuadas hoje pelos seus dirigentes à comunicação social, como pelo sentido de oportunidade e responsabilidade manifestado.

Com efeito, são mais que evidentes os desastrosos resultados da política de educação que tem vindo a ser seguida nas últimas dezenas de anos em Portugal.

Com esta afirmação, a APFN não pretende, de forma alguma, atacar política e, muito menos, pessoalmente, qualquer das individualidades que têm sido nomeadas para o cargo de Ministro da Educação.

De facto, tem sido também mais que evidente que o problema de fundo consiste no enorme monstro a que se chama Ministério da Educação, triturando, sem dó nem piedade, qualquer desgraçado que seja nomeado Ministro, para além dos jovens, crianças e respectivas famílias que, de forma inocente, estão convencidas que uma coisa a que se chama Ministério da Educação tem, como objectivo, instruir, formar e educar.

Não adianta procurar-se esconder mais esta realidade.

Como é que é possível que jovens universitários, após terem passado, pelo menos, 12 anos no "brilhante" sistema educativo(?) português, não saibam em que ano foi o 25 de Abril, conforme bem demonstrado pela comunicação social há poucas semanas?

Como é que é possível a demonstração de tanta ignorância de coisas elementares profusamente demonstrada nos concursos com que as televisões nos têm brindado?

Estes pequenos exemplos mostram à evidência o que inúmeros relatórios internacionais têm vindo a denunciar: a ignorância da juventude portuguesa é um espanto!!!!

E, o pior, é que a actual juventude, elevada à consideração de ignorante por esta irresponsável política educativa, vai ser o conjunto dos nossos técnicos e dirigentes de amanhã, aumentando ainda mais o atraso de Portugal relativamente aos outros países, mas, também, aumentando o número de acidentes por simples incúria, ignorância e irresponsabilidade.

Com efeito, toda a gente sabe que mesmo uma pessoa muito inteligente mas ignorante só será capaz de fazer coisas idiotas, com resultados desastrosos.

O problema da Educação é um problema nacional, e tem que ser encarado como tal, em vez de um feudo de pedagogos para experiências educativas com os filhos dos outros, com o objectivo de pavonearem vaidades em congressos internacionais e escamotearem os efeitos do desastre educativo português.

Por isso, o nosso Primeiro-Ministro elegeu a Educação como uma das suas paixões. Só que as paixões só podem ser alimentadas numa política de verdade. Como toda a gente sabe, paixões baseadas na mentira levam ao divórcio, porque, mais tarde ou mais cedo, a mentira é descoberta.

E esta mentira foi bem demonstrada por um Secretário de Estado da actual equipa governativa há duas semanas, aquando da última discussão da proposta do PSD sobre a publicitação das avaliações das escolas. Essa proposta de lei defendia uma das reivindicações da APFN, simplicíssima de implementar, consistindo na publicação na Internet das classificações obtidas pelos alunos em cada escola, comparada com as classificações obtidas pelos mesmos alunos nos exames nacionais. A APFN tem mesmo afirmado que, para que isto seja gratuito, fá-lo-á no seu site.

Ora esse governante teve o desplante de afirmar que tal medida é desnecessária, uma vez que a classificação para acesso às universidades apenas considera 25% da classificação nos exames nacionais!!!! Como é que é possível que não tenha sido demitido nessa mesma tarde ou no dia seguinte?

Como é que é possível que tenha, de forma tão descarada, mostrado que a sua política é a de evitar reprovações, escamoteando resultados, em vez de fazer com que os alunos aprendam? Como é que é possível que seja continuada e propagandeada uma política educativa que consiste apenas na alimentação de verdadeiros redis onde as crianças são depositadas e mantidas entretidas entre os 3 e os 16 anos, a aguardar que chegue a altura de ver se têm sorte para entrar numa faculdade? E, já agora, como é possível ter edifícios a que se chamam universidades onde sejam admitidos alunos com notas negativas?

Será que a maioria dos nossos políticos não tem filhos no ensino público e vota importantes diplomas na total ignorância da realidade e, também, no que lá está, de facto, escrito, votando a favor ou contra apenas porque é do partido A ou B?

A educação em Portugal tem sido uma gigantesca farsa, conduzida de forma totalmente irresponsável, a queimar enormes recursos portugueses.

A APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas está e estará sempre na linha da frente para denunciar esta farsa, colaborando no sentido de se acabar com ela, conforme afirmado na conferência realizada há cerca um ano, integrada no ciclo de Conferências APFN 2000.

Esta intransigente defesa de um sistema de educação que mereça tal designação deve-se ao facto de, apesar de as famílias com três ou mais filhos serem apenas 7% das famílias portuguesas, 26% dos jovens e crianças pertencem a famílias numerosas, que, como é óbvio, não têm possibilidade de fugir do sistema "educativo" público...

Recorda-se que, neste domínio, as nossas reivindicações são justas, conduzindo inevitavelmente a um verdadeiro sistema educativo de acordo com o determinado pela Constituição Portuguesa, e muito simples de implementar:

1 - Publicitar na Internet as classificações obtidas pelos alunos nas escolas e as obtidas, pelos mesmos alunos, nos exames nacionais. A APFN disponibiliza-se para a publicação na Internet, necessitando, apenas, de receber a informação que existe no Ministério.

2 - Acabar-se de vez com a escandalosa negociata nos livros escolares, fazendo com que estes mudem todos os anos, mesmo nos poucos anos em que não houve mais uma reforma.

3 - Maior colaboração entre pais e escola, para a qual é necessária maior imaginação para a mobilização dos pais. No que diz respeito a esta alínea, os principais responsáveis têm sido os pais. A APFN está disponível para colaborar com o Ministério, escolas e Associações de Pais para procurar mobilizar os pais de forma mais eficaz.

4 - Criação do Cheque Educação, no valor do actual custo do ensino público por aluno, a ser entregue aos pais com filhos em idade escolar. Os estabelecimentos de ensino público deixariam de ser gratuitos, tendo uma propina no valor do Cheque Educação. Os pais seriam livres de inscrever os seus filhos na escola que mais lhes conviesse, pública ou privada, de acordo com o seu critério.

A APFN bater-se-á sempre pela implementação destas medidas e está disponível para colaborar activamente com todas as entidades verdadeiramente interessadas na melhoria da qualidade do ensino e educação em Portugal.

A APFN apela a todos os partidos políticos e, em particular, aos partidos com assento na Assembleia da República, para que, nesta matéria, de vital importância para o presente e futuro de Portugal, se unam para resolverem um problema gravíssimo por que todos são responsáveis e de que todos somos e seremos vítimas e estamos e estaremos a pagar a factura.

Senhores políticos:

  • Por favor, não acreditem nos relatórios efectuados pelos "técnicos" do tal grupo de gente a que se dá o nome de Ministério de Educação.
  • Por favor, abram os olhos e vejam os resultados!
  • Por favor, chamem alunos do ensino público do 9º, 10º, 11º e 12º ano e ponham-lhes simples questões de escola primária! Por exemplo, peçam para lerem uma simples notícia do jornal e peçam-lhes para explicarem o que lá está escrito! É que, dantes, tínhamos um país de analfabetos sem a 4ª classe. Agora, continuamos a ter um país de analfabetos, mas vaidosos por terem o 12º ano.
  • Por favor, ataquem este problema de frente, e deixem de fazer de conta que está tudo bem!
  • Por favor, não esperem pelas próximas eleições para virem, de novo, cá a baixo, e tomarem contacto com a dura realidade do país, a actual que prenuncia um péssimo futuro!

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