Diário de Notícias da Madeira - 6 de Maio de 2001

Educação sexual em debate 

Mais do que apostar numa educação voltada para a prevenção da gravidez, é preciso apostar na promoção de comportamentos sexuais responsáveis, sendo a família a mais capacitada para o fazer. Esta foi uma das principais conclusões apresentadas, ontem, num debate intitulado "A Educação Sexual na Família", iniciativa promovida pelo Externato da Apresentação de Maria. 

Perante uma numerosa e atenta plateia, Fernando Castro, presidente da Associação de Famílias Numerosas, teceu fortes críticas à política de educação sexual seguida nas escolas do País. Este dirigente afirmou-se receoso quanto à possibilidade de, «na maioria das escolas, a educação sexual se limitar a evitar a gravidez». 

«É importante que se motive a adopção de um comportamento responsável e que se demonstre aos jovens que são estes as primeiras vítimas de um comportamento sexual inadequado», defendeu, apresentando como exemplo o caso de Inglaterra, onde «a aposta nos contraceptivos não impediu uma elevada taxa de gravidez entre as adolescentes». 

O papel da família na educação sexual dos jovens foi também alvo de uma extensa análise. Presente no debate, o padre David Quintal defendeu a tese de que «a família deve ser a principal responsável pela educação sexual, na medida em que são os pais quem melhor conhece os filhos». 

Para David Quintal, é essencial que «qualquer tipo de educação seja ministrado num ambiente de amor e de afectividade, e a partilha de experiências entre os pais poderá ajudá-los nessa tarefa». 

Num debate que primou pelo confronto de várias posições sobre esta matéria, houve ainda tempo para abordar as questões que «mais preocupam a família» – a liberdade sexual, o namoro e as saídas à noite. A ideia foi, de acordo com João Correia, «contribuir para motivar os pais na sua missão de educar os filhos, sem apresentar modelos ou propostas concretas sobre a melhor forma de o fazer». 

PATRÍCIA GASPAR 

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