Ecclesia - 2 de Maio de 2001

Trabalhadores, sim; Marionetes, não
Apelo lançado pela Pastoral Operária da Arquidiocese de Braga que reuniu, no passado dia 30 de Abril.

Nuno Tavares 

Perante o consumismo desenfreado que se verifica na sociedade, a Pastoral Operária de Braga alerta os trabalhadores para que “não se deixem ser marionetes da sociedade consumista e para que saibam decidir a sua vida livremente não cedendo à ‘febre’ da publicidade enganosa nem das ofertas de felicidade breve que rapidamente se transforma em pesadelo”. Este foi o apelo lançado pela Pastoral Operária da Arquidiocese que reuniu, no passado dia 30 de Abril, na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Famalicão, onde debateram o problema do “Endividamento das Famílias Operárias”. 
Os trabalhos foram orientados por Engrácia Leandro, socióloga e investigadora nas questões das migrações e família, que traçou a evolução histórica do endividamento das famílias operárias. A oradora concluiu que actualmente “o recurso ao crédito é facilitado, não para garantir apenas o bem estar das pessoas, mas sobretudo para dar projecção social”. “O consumismo desenfreado, a necessidade de um estatuto social e a vontade de ter cada vez mais ‘obriga’ as famílias a recorrerem cada vez mais ao crédito”. E acrescentou, o “crédito permite gastar para depois poupar, invertendo a incisão social de amealhar para depois gastar”. Face a este cenário a Pastoral Operária de Braga propõe-se “despertar a sociedade para esta realidade e ser porta-voz das muitas famílias que vivem o problema do sobre-individamento que acaba por, em alguns casos, as destruir”. 
 

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