Expresso Online - 25 de Maio

Desligar a televisão?

Henrique Monteiro

Intervindo no recente debate suscitado por programas como «O Bar da TV», da SIC, e «Big Brother», da TVI, muitos comentadores opinaram que a forma mais simples de combater o fenómeno dos «reality shows» seria... desligar a televisão. Colunistas de jornais, pessoas que deram as suas opiniões em inquéritos ou através da Internet, sustentaram que o caso é simples: quem não quer não vê e o assunto fica resolvido.

Do meu ponto de vista, não fica. Por uma simples razão: tendo em conta que se contesta este tipo de programas por eles provocarem um dano (seja o da invasão da privacidade, seja o do aproveitamento da boa-fé, etc.) não é pelo facto de desligarmos a TV que esse dano deixa de existir. Na verdade, essa é uma posição que pode ser considerada totalmente subjectivista e que poderia ser resumida assim: o dano, (ou o crime) de que não tome conhecimento, não existe. Digamos que é o cúmulo do egocentrismo pensar nestes termos: não me interessam os problemas que são criados aos outros (à sociedade), mas apenas aqueles que dizem respeito a mim próprio ou, quando muito, à minha família.

Naturalmente, a extensão do dano causado, depende da audiência do programa, razão pela qual, quanto menor for o número de pessoas a ver, menos efeitos perversos provoca. Mas o simples facto de uma norma ética ser quebrada por quem tem a responsabilidade de uma emissão televisiva, deve levar a sociedade a actuar, denunciando esse facto.

E há inúmeras formas de actuar, exigindo que sejam as próprias televisões a criarem os seus próprios mecanismo de contenção, ou exigindo do Estado - que forneceu as licenças de emissão - que crie essas regras e actue sem receios. 

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