Jornal de Notícias - 25 de Maio

"Stress" docente pode levar educação à falência

"Sinto-me como se estivesse vendendo uma mercadoria estragada". Este foi o depoimento de um professor vítima de "burnout" -uma espécie de esgotamento -colhido por um dos conferencistas que, hoje, vão debater, no Porto, o "stress" na profissão docente. Estudos organizados em Espanha e Brasil, semelhantes aos que já foram feitos por cá, dão a conhecer as condições psicológicas que afectam, cada vez mais, os profissionais do ensino e podem levar, segundo um dos conferencistas, à falência da educação.

Organizado pelo Sindicato dos Professores do Norte, no âmbito da Jornadas Pedagógicas 2000/2001, o encontro, que decorre no Seminário do Vilar, irá debater os diversos factores que levam um professor a desistir da sua profissão.

Nova organização

Carlos Augusto Abicail, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, do Brasil, irá falar sobre "Burnout, a síndroma da desistência do educador, pode levar à falência da educação".

O estudo feito no Brasil revelou a despersonalização, a exaustão emocional e a falta de envolvimento pessoal no trabalho que afectam uma larga percentagem dos docentes brasileiros. 

"O professor, ao mesmo tempo, sente-se derrotado porque vê que não está conseguindo atingir os objectivos aos quais havia se proposto e vê deteriorada a sua relação com os alunos, que já não consegue tratar de forma afectuosa", refere no estudo.

Outra investigação, feita em Espanha, e que será apresentada por Rafael Velasco, revelou que os aspectos da saúde que mais afectam a profissão docente são o psíquico e o psicossocial.

O estudo aponta como soluções uma nova organização das escolas, uma formação inicial e contínua dos professores, uma preocupação mais realista por parte das administrações educativas e uma maior sensibilização das famílias e da própria sociedade.

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