Público - 29 de Maio

Governo Admite Lançar Consulta Pública Sobre Nova Autoridade

Por SOFIA RODRIGUES

Regulação das comunicações

A criação de um novo órgão que passe a tutelar a comunicação social e as telecomunicações é uma hipótese que o Governo quer ver discutida pela sociedade. Para tal, poderá lançar uma consulta pública

O debate que o Governo quer lançar sobre a criação de um novo organismo de regulação para as comunicações poderá ser sob a forma de uma consulta pública. A convergência tecnológica e algumas soluções adoptadas por outros países levaram o Governo a suscitar a discussão sobre uma reestruturação de competências que, actualmente, estão divididas por diversos organismos de regulação.

O debate prometido pelo Governo sobre regulação poderá ser feito através de uma consulta pública, admitiu ao PÚBLICO Arons de Carvalho, secretário de Estado da Comunicação Social, acrescentando que a questão da forma como irá ser suscitada a discussão ainda está a ser trabalhada. Em cima da mesa está a proposta de criar um único organismo que passe a reunir as competências para a comunicação social - como têm hoje a Alta Autoridade para a Comunicação Social e o Instituto da comunicação Social - e para as telecomunicações, actualmente exercidas pelo Instituto da Comunicações de Portugal.

"Começam a existir canais de televisão que não são sujeitos a concurso público, há uma relação cada vez mais próxima entre as telecomunicações e a comunicação social e há ainda a Internet", justifica Arons de Carvalho, sublinhando que não se trata de pôr em causa as competências da Alta Autoridade, mas sim de discutir a questão. Ouvir opiniões é tanto mais premente, dado que se avizinha uma revisão constitucional, uma oportunidade que pode ser aproveitada para alterar os termos da Alta Autoridade definidos pela Lei fundamental.

O Reino Unido avançou para a criação de um organismo que tutela a comunicação e as telecomunicações (o Ofcom) assim como a Itália que estabeleceu uma entidade única, embora com duas sub-estruturas. "Não defendo este tipo de soluções, mas temos de discutir", afirma o responsável, acrescentando que "não se trata de um debate em resposta ao telelixo", mas sim a preocupações de funcionamento das entidades.

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