|
Público OnLine - 7 Mai 03
CGTP receia que novo regime favoreça fugas ao fisco
Abono de família: PS considera decisão do Governo positiva, BE acha insuficiente
Lusa
O deputado socialista Vieira da Silva considerou hoje positiva a decisão do
Governo de aprofundar o princípio da diferenciação positiva na atribuição do
abono de família. Por seu lado, o dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Francisco
Louçã afirmou que o aumento do abono de família para as famílias mais pobres "é
uma medida necessária mas insuficiente".
Lembrando que o princípio da diferenciação positiva na atribuição do abono de
família foi introduzido pelo Governo do PS em 1997, Vieira da Silva,
ex-secretário de Estado da Segurança Social, disse não ter nada contra o
aprofundamento do mesmo. "Considero positivo tudo o que significar um maior
apoio às famílias", realçou.
"Não conheço os detalhes desta medida do actual Governo mas fiquei com a ideia
de que só iria entrar em vigor em Janeiro do próximo ano e, nesse caso, acho que
não faz qualquer sentido anunciá-la agora em Maio", criticou. Vieira da Silva
sublinhou ainda que o Governo devia ter em conta outras preocupações sociais e
cumprir promessas feitas, nomeadamente as de aumentar as pensões e o regime do
subsídio de desemprego.
Por seu lado, Francisco Louçã afirmou que "as medidas anunciadas são necessárias
mas parciais e insuficientes", criticando o Governo por "esgotar a política
social na caridade".
Para o BE, as medidas hoje anunciadas "estão desinseridas de uma política de
protecção social" e não respondem aos problemas do desemprego. "Trata-se de uma
medida muito localizada para encobrir o facto de que foi com este Governo que em
Portugal se verificou o maior aumento de desemprego nos últimos 20 anos",
realçou.
O primeiro-ministro, Durão Barroso, anunciou hoje o novo regime do abono de
família, que passa a apoiar preferencialmente os agregados de menores
rendimentos e cria o 13º mês para as crianças desfavorecidas entre os seis e os
16 anos de idade.
A CGTP também já comentou a iniciativa, considerando positivas todas as medidas
que aumentem a protecção das famílias mais carenciadas, mas dizendo recear que o
novo regime vá favorecer quem foge ao fisco.
Por não conhecer ainda os pormenores das mudanças no abono de família, Maria do
Carmo Tavares, do executivo da Intersindical, limitou-se a antecipar que a CGTP
não aceitará a retirada de direitos a ninguém, mas que não é contra qualquer
proposta que surja no sentido de apoiar mais as famílias carenciadas.
O problema é, segundo a sindicalista, que muitos profissionais independentes,
que fogem aos fisco, usufruem dessa ajuda sem que dela necessitem. De acordo com
a dirigente da CGTP, o 1º escalão do abono de família - que corresponde ao
montante mais elevado - é atribuído a muitos profissionais liberais e
independentes que auferem rendimentos muito superiores aos que declaram às
finanças.
[anterior]
|