Num documento intitulado "Família: Semente do Futuro", a
apresentar sábado no "II Serão de Família", que decorre em Lisboa para
comemorar o Dia Internacional da família, a ANFN propõe um conjunto de
medidas para a execução dessa política.
Nesse encontro será também apresentado um estudo sobre
políticas de família em 15 países da Europa: Bélgica, Dinamarca, Alemanha,
Grécia, Espanha, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos,
Áustria, Portugal, Finlândia, Suécia e Reino Unido.
As famílias numerosas representam 7,5 por cento das
famílias portuguesas e, segundo a ANFN, contribuem em 26 por cento para a
juventude da população portuguesa, sendo por isso "a solução do futuro",
tendo em conta a baixa taxa de natalidade registada em Portugal.
Portugal é um dos países da Europa com a taxa de
natalidade mais baixa.
Em matéria fiscal a ANFN defende, por exemplo, que em
sede de IVA, seja aplicada a taxa reduzida a todos os bens de primeira
necessidade para a família, nomeadamente para as crianças, e que o Imposto
Automóvel seja reduzido na aquisição de viaturas com mais de cinco lugares,
para uso particular.
No que respeita à Educação, a associação quer que seja
instituído o "cheque ensino" para que os pais possam escolher a escola para
os filhos (pública ou privada) e que os manuais escolares sejam usados por
vários anos.
Relativamente à Saúde, a ANFN quer que as taxas
moderadoras sejam adequadas ao rendimento per capita e que sejam melhoradas
as condições de apoio domiciliário especializado a doentes crónicos ou
sujeitos a tratamentos prolongados para que se reduza o internamento
hospitalar.
No plano do trabalho, a associação considera que é
necessário adequar a licença para "assistência ao agregado familiar" de
acordo com o número de dependentes e reconhecer o valor económico do
trabalho não remunerado relacionado com as tarefas domésticas, a função
educativa dos filhos a cargo e os cuidados prestados aos idosos e
deficientes.
Ainda nesta área é defendida a flexibilização dos
horários de trabalho - facilitando a ocupação do mesmo cargo por duas
pessoas -, os incentivos ao trabalho a meio tempo e o estímulo pela via
fiscal da flexibilização dos horários das creches e jardins-de-infância com
pessoal qualificado.
A Associação Nacional de Famílias Numerosas considera
também que devem ser criados incentivos às empresas que facilitam a
conciliação entre trabalho e vida familiar, criando um prémio anual para as
"mais familiarmente responsáveis".
No que respeita aos transportes, a ANFN defende a criação
de um Bilhete de Família e de um Passe de Família para os transportes
públicos, contribuindo assim para desincentivar o uso de transporte
individual, bem como de mecanismos que possibilitem a circulação pela via
Bus de automóveis particulares quando transportam quatro ou mais pessoas.
Na área da segurança social, uma das reivindicações da
associação é a actualização das prestações familiares de acordo com o
critério que foi seguido na actualização das propinas do ensino superior.
Ainda nesta área, a associação defende que deve ser
reforçada a solidariedade inter-geração, através da articulação de creches
com centros de dia para idosos e do incentivo aos pais e avós a acompanhar
os filhos, no mínimo até aos seis anos, valorizando esse tempo na contagem
para efeitos de reforma.