Elaborado pelas sociólogas Joana Vaz Pereira e Maria
Luísa Toledo Gomes, o estudo Comparativo das Políticas Familiares na Europa
dos 15 entre 1990-2004, será apresentado sábado em Lisboa durante o II Serão
Nacional da Família.
O serão, promovido pela Associação Nacional de Famílias
Numerosas, visa assinalar o Dia Internacional da Família que se celebra
domingo.
Segundo o estudo, Portugal, Finlândia e França são os
três países da chamada Europa dos 15 em que os pais de famílias
monoparentais mais trabalham em regime de "full-time".
Foram analisados os casos da Bélgica, Dinamarca,
Alemanha, Grécia, Espanha, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países
Baixos, Áustria, Portugal, Finlândia, Suécia e Reino Unido.
Para aqueles pais, a flexibilidade do horário de trabalho
pode ser um elemento amigo ou inimigo da família.
Quanto mais elevadas forem as qualificações e os
rendimentos mais a flexibilidade do horário serve como um instrumento de
apoio à família.
De acordo com o estudo, quando os salários são mais
baixos a mesma flexibilidade do horário de trabalho torna-se inimiga da
família, uma vez que muitas vezes corresponde a horas atípicas de trabalho e
a obstáculos de acesso ao trabalho por parte dos pais.
Nestas situações, os pais reduzem as suas horas de
trabalho de modo a evitar os elevados custos da guarda das crianças.
Para todos os pais cujas qualificações e rendimento se
encontram abaixo da média os serviços formais de guarda de crianças (creches
ou infantários) a baixos preços e ou os serviços informais de guarda de
crianças são fontes decisivas para acederem ao trabalho.
O significativo envolvimento de membros da família nos
serviços de cuidados prestados às crianças apresenta vantagens e
desvantagens.
As vantagens encontram-se associadas ao facto de esses
serviços informais serem geralmente estáveis e não pagos.
Além da contribuição dos avós nesta matéria, muitos dos
pais consideram também importante que os ex- companheiros/pais das crianças
participem nos cuidados dos seus filhos.
As desvantagens estão associadas à dependência e
obrigação que os pais sentem em justificar as suas vidas aos membros da
família que cuidam dos seus filhos.
Por essa razão, acrescenta o documento, surgem
sentimentos de falta de privacidade, sendo este tipo de sentimentos comuns
para as mães adolescentes/jovens que ainda vivem em casa dos seus pais.
A maioria dos pais trabalhadores de famílias
monoparentais tentam equilibrar o trabalho e a guarda das crianças com
diversas fontes de serviços formais e informais e o tipo de rendimento
influencia fortemente a escolha dos serviços.
Quando se faz uma comparação relativamente ao apoio
familiar, existem largos contrastes entre o sul e o norte da Europa.
Em Portugal e em Itália, a solidariedade familiar tende a
permitir às mães sozinhas a obtenção de um trabalho, apesar de muitas vezes
significar trabalhos pouco qualificados e mal pagos.
Na Finlândia, na França, e no Reino Unido, outros membros
da família, muitas vezes as avós maternais, podem ir buscar as crianças no
fim do dia à escola ou aos centros de dia ou ás actividades extra-escolares
com o objectivo de preencher a falha existente entre o fim do expediente dos
serviços formais de guarda das crianças e o regresso do pai/mãe do local de
trabalho.
As pessoas dos países do sul da Europa parecem estar
menos isoladas das redes de família, fazendo com que, por diversas vezes, se
sintam em dívida para com a mesma.
Em oposição, os países onde os serviços formais de guarda
das crianças são elevados, os sentimentos de dívida para com a família são
menos usuais.
As famílias da Finlândia, França e Reino Unido usam
frequentemente a combinação dos serviços informais com os formais.
Apenas os portugueses e italianos usam com mais
frequência as facilidades privadas disponíveis para os cuidados prestados a
idosos ou crianças