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Público
- 10 Mai 06
Relatório ontem apresentado
Espanha, Portugal e Itália entre os países que
menos ajudam as famílias
Andreia Sanches
Portugal foi dos que perderam mais jovens
e aquele onde os divórcios mais aumentaram
Por cada 13 euros que a União
Europeia (UE) gasta com protecção social apenas um é
dedicado à família, conclui o Instituto de Política
Familiar (IPF), uma organização sediada em Espanha
dedicada à defesa e promoção da família. Mas o
cenário diverge muito de país para país, nota. Em
2003, cada cidadão da comunidade recebeu em média
461 euros em prestações familiares. Em Portugal, o
valor registado foi bem mais baixo: 248.
Excluindo os dez Estados-membros do alargamento,
Espanha, Portugal, Itália e Grécia fazem parte do
grupo dos que "menos ajudam a família", lê-se no
relatório Evolução da Família na Europa - 2006,
apresentado ontem em Bruxelas. O documento analisa
informação produzida ao longo dos últimos anos por
diversas fontes, nomeadamente o Eurostat.
O facto de Portugal estar abaixo da média em termos
de prestações familiares per capita não surpreende
Fernando Ribeiro e Castro, presidente da Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas, que classifica a
situação como "ridícula". Mas, mais do que isso,
aponta o dedo à fiscalidade. "Um casal com filhos
poupa dinheiro se se divorciar. O que está aqui em
causa é muito mais do que dinheiro, a fiscalidade é
o instrumento por excelência que o Estado tem para
dar orientações à população no sentido de se
divorciar, de não ter filhos."
O estudo do IPF lembra que as mulheres têm filhos
cada vez mais tarde (em média, a primeira criança
nasce aos 29,5 anos) e que o número de jovens com
idades inferiores a 14 anos diminuiu 21 por cento
desde 1980, no conjunto dos 25 países. Espanha,
Portugal e Itália foram aqueles onde a diminuição
foi mais forte - registaram-se, respectivamente,
quebras de 44, 40 e 37 por cento.
Divórcio a cada 33 segundos
Em 2005 nasceram menos 870.478 crianças na UE do que
em 1982 (menos 15,3 por cento). E há cada vez menos
casamentos. Os divórcios, por outro lado, não páram
de aumentar - acontece um a cada 33 segundos. O IPF
fez as contas: nos últimos 15 anos (até 2004) mais
de dez milhões de casais romperam a sua relação.
Portugal é o país onde se registou o maior aumento
de rupturas conjugais na última década, ainda
segundo o IPF. Citada pela Lusa, a socióloga Anália
Torres lembra contudo que o país continua a ser dos
que apresentam menor taxa de divórcio.
Por tudo isto, o IPF sublinha a necessidade de a
Europa "converter a família numa prioridade
política". É preciso "ajudar os pais a terem os
filhos que desejam ter". Propostas concretas: a
redução em 50 por cento do IVA de produtos básicos
para crianças, como alimentos, biberões, mobiliário
infantil e o desenvolvimento de formas de apoio aos
casais em crise.
Políticas mais iguais
Para além disso, defende esta organização não
lucrativa, há que apostar na "convergência" das
políticas na UE. Objectivo: reduzir as enormes
diferenças que existem de Estado para Estado nos
apoios prestados e evitar que haja "famílias de
primeira e de segunda", conforme os países onde
vivem.
"Há um abismo entre países como o Luxemburgo,
Dinamarca, Áustria ou Suécia, por um lado, e a
Polónia, Lituânia, Espanha ou Letónia, por outro".
Estes últimos ocupam o fim da lista dos que em 2003
menos gastavam com prestações familiares (ver
quadro).
O IPF compara ainda o que recebe um casal com dois
filhos no Luxemburgo, por exemplo, e em Espanha: 611
euros por mês no primeiro caso e 49 no segundo, e
mesmo assim em Espanha o agregado familiar só recebe
esse valor se tiver um rendimento anual inferior a
8793 euros.
Um casal de polacos nas mesmas circunstâncias tem
direito à quantia de 22 euros mensais. Em Portugal,
a atribuição do abono de família está dependente dos
rendimentos e varia em função da idade das crianças
e dos jovens - pode ir dos 10 aos 127 euros mensais
por filho.
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