Diário de Notícias -
16 Mar 07
Todas as agressões nas escolas vão ser crime
público de investigação prioritária
Pedro Sousa Tavares
Duas orientações com uma mensagem comum: tolerância
zero à violência nas escolas. As ofensas à
integridade física de qualquer elemento da
comunidade escolar passam a ser consideradas crime
público (não dependente de queixa) agravado, punível
até quatro anos de prisão. E as autoridades
policiais e judiciais terão de passar a tratar estes
casos como "prioritários".
A primeira mudança, já aprovada no Parlamento, vem
alargar o âmbito do que o artigo 146 do Código Penal
já previa apenas em relação aos professores. A
segunda, parte integrante do projecto-lei sobre
política criminal, que o Governo vai apresentar à
Assembleia da República até 15 de Abril, visa
garantir que a lei é efectivamente aplicada.
"Será colhida uma orientação no sentido de ser dada
prioridade a estes crimes, tanto na prevenção como
na investigação criminal", disse ao DN Rui Pereira,
coordenador da Unidade de Missão para a Reforma
Penal, que ontem se reuniu com representantes dos
professores.
Sentenças são uma raridade
Dados do Observatório de Segurança Escolar do
Ministério da Educação indicam que, em 2005/06, só
em relação aos docentes, foram contabilizadas 360
agressões (físicas ou verbais). Mas os casos que
chegam aos tribunais são poucos. E sentenças, como a
pena de cinco anos que o Tribunal da Relação do
Porto recentemente confirmou à mulher que agrediu
uma professora primária de Bragança, podem ser
consideradas uma verdadeira raridade.
Numa ronda pelos dois principais sindicatos de
professores, o DN confirmou isso mesmo. Em processos
recentes a cargo do gabinete jurídico da Federação
Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) apenas foi
possível confirmar sete casos resolvidos a favor dos
docentes, dos quais só um respeitava a agressões
físicas. Na Federação Nacional dos Professores (Fenprof),
apesar de "mais de 30 casos seguramente"
sinalizados, também se contavam pelos dedos de uma
mão as sentenças conhecidas.
Augusto Pascoal, deste último sindicato, assegurou
ao DN que serão "bem mais" as situações que nunca
são denunciadas. " São muito poucos os que se
queixam. Conheço um professor que foi hospitalizado
e mesmo assim não se queixou. Às vezes, até por
vergonha, não o fazem." Ainda assim, defendeu, "mais
do que sanções pesadas, são precisas medidas que
ajudem a prevenir estas situações nas nossas
escolas".