Diário de Notícias -
20 Mar 07
Escolas secundárias vão alugar espaços para
casamentos e baptizados
Ângela Marques*
Mini centros comerciais? Nada disso. Mas as escolas
secundárias portuguesas vão desenvolver internamente
"áreas de negócio" para ajudar a financiar o
programa de modernização dos estabelecimentos de
ensino. O aluguer de espaços de desporto, serviços
de restauração, a exploração de papelarias e
reprografias são exemplos de "unidades de negócio".
A valorização patrimonial, que pode incluir a
concessão de edifícios não utilizados, também.
"Desde o aluguer de espaços para casamentos e
baptizados, de rinques para torneios de solteiros e
casados, ou de espaços para entidades de formação,
tudo pode ser feito", disse ontem ao DN o porta-voz
do Ministério da Educação. "Aliás, já há escolas que
o fazem", acrescentou.
A estratégia foi apresentada ontem de manhã no Porto
e à tarde em Lisboa, pela ministra da Educação, pelo
primeiro-ministro e pelo presidente da Parque
Escolar, EPE (ver caixa). Que explicou que "a
concessão de utilização de instalações escolares no
período pós-escolar, bem como a concessão de
instalações não utilizadas a instituições públicas
e/ou privadas, vocacionadas para a educação e
formação profissional" é uma prioridade no que diz
respeito à valorização patrimonial.
Nas ditas unidades de negócio, "as regras vão ser a
criteriosa escolha de produtos e de fixação de
preços (não se trata de um mini centro comercial) e
o rigoroso controlo de qualidade dos produtos a
vender, em particular no que refere à alimentação",
afirmou João Sintra Nunes.
Para isto, a Parque Escolar conta "até fim de 2007
concluir um conjunto de parcerias que permitam
"encher" os edifícios a intervencionar nos primeiros
dois anos". É que o programa de modernização quer
abranger 332 escolas até 2015. E inicia-se em Julho
em quatro: duas no Porto e duas em Lisboa. A
experiência piloto deve ser estendida a outras
escolas nos próximos oito anos, para, entre outras
coisas (ver texto em baixo) abrir a escola à
comunidade. O que "não quer dizer que toda a gente
lá possa entrar", mas que "os edifícios possam ser
utilizados em actividades de formação pós-laboral,
eventos culturais e sociais, desporto e ao lazer".
*Com Joana de Belém