Expresso online -
10 Mar
08
Seis sugestões para revolucionar as escolas
Henrique Monteiro
A guerra dos professores contra a ministra da
Educação poderia ser aproveitada para fins
benéficos. Tais como reorganizar as próprias
escolas, a sua autonomia e a sua gestão. Em tempo de
guerra as posições extremam-se e só há duas saídas:
ou a rendição de uma parte ou a superação do
conflito.
É neste último sentido que se pode avançar uma série
de medidas que poderiam devolver independência,
rigor, e proficiência às escolas. Medidas assim:
1) Liberdade para os pais escolherem a escola dos
filhos. O Estado subsidia o ensino através de
cheques-educação e não através de transferências
para as escolas que, muitas vezes, se transformam em
subsídios à gordura das instituições e ao
desperdício;
2) Descentralização da gestão das escolas, através
de um gestor nomeado por uma Comissão do Agrupamento
escolar. Essa comissão deve ter professores, pais e
responsáveis autárquicos locais. Como é óbvio,
quanto melhor escola mais alunos e recursos
conseguirá;
3) As contratações, nomeações e avaliações dos
professores (deverá haver exame para se ser
professor) deixam de ser feitas pelo Ministério para
o serem pelo gestor da escola;
4) Os manuais escolares, que devem estar de acordo
com um programa nacional, passam a ser propriedade
das escolas e entregues anualmente aos alunos, que
os devolvem em condições no final do ano (caso
contrário, pagam-nos). Os manuais, ao contrário do
que tem acontecido, não devem ter espaço para
preencher pelos alunos nem mudar constantemente. É
preferível ensinar bem a matéria já estabelecida do
que andar sempre à procura da última moda (é assim
na Bélgica ou na Holanda e noutros países onde a
Educação é exemplo);
5) Exames nacionais de fim de ciclo (4º, 6º 9º e 12º
anos) em todas as disciplinas fundamentais, de
acordo com o grau. Isto significa no 9º ano, por
exemplo: Português, Inglês, terceira língua,
História, Matemática, Geografia, Ciências e, no 12º
ano, exame de Filosofia;
6) Ensino obrigatório até aos 16 anos. Possibilidade
de retenção (chumbo) e passagem compulsiva para o
ensino profissional em caso de mais duas retenções
no mesmo ano (caso tenha duas retenções no
profissional, perde o direito ao cheque-educação e,
se tiver menos de 16 anos, passa para os serviços
sociais).
Claro que isto é uma revolução. Nem sindicatos, nem
ministério nem editores aceitam. Mas, se guerra é
guerra, que seja por bons motivos.