11 de Novembro de 2000 - Expresso

Um país doente 

NA MESMA altura em que o país se entretém a discutir as peripécias do Orçamento de Estado - quando não as últimas do «Big Brother» - António Barreto publica um estudo preocupante sobre o estado da Nação. 

É evidente que, com o chamado «progresso» - e, a partir de 1986, com os subsídios da Europa -, o país ficou mais rico, as pessoas passaram a viver melhor, a mortalidade infantil diminuiu, construíram-se estradas e auto-estradas, a escolaridade aumentou. 

Mas se as últimas décadas contribuíram para aproximar Portugal da Europa no que respeita às vantagens do desenvolvimento também tiveram como consequência a importação de alguns problemas que os países europeus há longos anos carregam. 

Logo à cabeça, a queda da natalidade. 

Em 1960, nasciam em Portugal 200 mil bebés por ano; hoje, nascem 100 mil. 

Em 1960, cada mulher em idade fecunda tinha, em média, 3,1 filhos; hoje, tem 1,5. 

Quanto ao número de pessoas por família, passámos das 4,3 em 1940 para as 3,1 em 1991. 

Em resultado destes números, o país está a envelhecer. 

O grupo dos que têm mais de 65 anos tende a ser mais importante do que o dos que têm menos de 15. 

E, independentemente das consequências económicas que isso acarreta (a carga de reformados e pensionistas é cada vez maior e os que trabalham são cada vez menos), há as consequências «sociais». 

Um país mais velho é um país mais deprimido, mais queixoso, com menos esperança e menos ambição. 

É por isso imperioso que os responsáveis políticos se ocupem deste problema. 

Os governos e os partidos não podem ficar, por muito mais tempo, a ver Portugal definhar. 

Há que incentivar a natalidade, apoiar as famílias numerosas, facilitar a vida às jovens mães e aos jovens pais - promovendo a construção de creches junto dos locais de trabalho, incrementando o trabalho em «part-time» -, tornar os transportes gratuitos para as crianças e os adolescentes, subsidiar fortemente o ensino. 

O Estado, neste campo, tem de ser criativo e voluntarista: tem de ser capaz de inventar medidas eficazes e tem de se empenhar a fundo. 

Um país velho é um país doente. 

Fazer de Portugal um país jovem, alegre, um país mais voltado para o futuro do que para o passado, tem de ser um objectivo nacional. 

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