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12 de Novembro de 2000 - Jornal de Notícias
Um quarto para 14 bebés
Os condóminos de um prédio na Póvoa de Varzim já não podiam mais com o barulho e a movimentação diária de crianças no prédio.
Quando souberam que, num dos apartamentos, uma mulher dava acolhimento a crianças, denunciaram a situação à Segurança Social.
O Serviço de Fiscalização Social do Centro Regional de Segurança Social do Porto descobriu que, num pequeno quarto, 14 crianças permaneciam armazenadas durante todo o dia, tendo por entretenimento uma televisão e, muitas vezes, mantendo-se alimentadas apenas com uma sopa.
Impedida de continuar com o negócio, que lhe rendia 15 contos mensais por criança, a ama clandestina não teve outra solução senão entregar as crianças aos pais.
Anúncios no jornal
Meses depois, em Gondomar, situação idêntica era denunciada por vizinhos de um prédio. Uma mulher alugara, já há dois anos, um apartamento de dois quartos, para nele receber crianças. A fiscalização deu com 10 menores, de idades diversas, que ali permaneciam em condições miseráveis.
José Macedo, responsável pelo referido Serviço de Fiscalização, disse ao JN que estes casos só podem ser detectados fruto de denúncia. Por vezes, um anúncio à porta de um estabelecimento ou até num jornal, dizendo "Toma-se conta de crianças", serve como alerta.
Segundo referiu, diariamente são feitas visitas a creches, tendo, no ano passado, sido levantados autos de notícia a cerca de 40, que ainda não estavam licenciados por falta de condições de segurança e salubridade.
Para todo o trabalho de fiscalização, que se estende até Felgueiras e Marco de Canavezes, os serviços contam com o trabalho de três educadoras. A escassez de quadros parece não assustar José Macedo, que realçou o êxito do trabalho levado a cabo pelos serviços de fiscalização.
Cabeças achatadas
Isabel Loreno, assistente social da Maternidade Júlio Dinis, relatou casos problemáticos que ali surgem frequentemente e para os quais disse ser difícil encontrar o necessário apoio para a guarda dos bebés.
Em 1991, aquela técnica denunciou, nas páginas do JN, casos de crianças albergadas em condições deploráveis em 21 amas clandestinas. Os menores passavam o dia fechados num quarto ou sala, sem nunca saírem da alcofa ou cama, o que lhes tornava a cabeça achatada.
Hoje, acredita que a realidade em nada deve ter mudado.
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