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Público - 23 de Novembro de 2002
Organismos alertam para possível crescimento da instabilidade social
Caritas e IPSS preocupadas com aumento do desemprego
A Caritas Portuguesa e União das Instituições Particulares de Solidariedade
Social (UIPSS) dizem-se preocupadas com o aumento de desemprego registado nos
últimos meses, alertando que a situação poderá desencadear uma subida da
instabilidade social no país.
De acordo com dados avançados ontem pelo Instituto de Emprego e Formação
Profissional, o desemprego aumentou a um ritmo de 4,1 por cento entre o mês de
Setembro e Outubro deste ano, o que reforça o indicador do Instituto Nacional de
Estatística que há dias fixou a taxa anual nos 5,1 por cento.
Para Eugénio da Fonseca, presidente da Caritas Portuguesa, o país está a
"atravessar uma crise que se instalou na consciência das pessoas", mas deve ser
o Governo a reforçar o apoio à acção social.
"Desejaríamos que [a contenção orçamental] não afectasse substancialmente a
Caritas e pusesse em causa as acções que estão em curso ou de outras que venham
a ser consideradas prioritárias", sustentou o responsável durante uma reunião do
Conselho Geral da instituição, em Fátima.
Eugénio Fonseca diz que é claro o crescimento de "resignação e fatalismo" face
ao futuro, sendo necessário "fazer um esforço de contenção" ser apenas à "custa
de determinados estratos da população e determinadas áreas de intervenção na
vida das pessoas".
O presidente da Caritas acrescenta ainda que o aumento do desemprego é
"dramático" e "este desânimo que se instalou na sociedade portuguesa leva muita
gente a aproveitar-se para desinvestir".
José Maia, presidente da UIPSS, direcciona a sua preocupação para uma eventual
ruptura financeira do Fundo de Desemprego, face ao aumento dos despedimentos e
ao provável encerramento de mais empresas.
"Sabemos que há muita empresa que vai fechar e o dinheiro que está previsto no
Fundo de Desemprego não vai dar para aquilo que aqui vem", observou, criticando
ainda a falta de apoio do Governo ao crédito bonificado, que veio agravar ainda
mais o endividamento e as dificuldades das famílias.
Nesse sentido, o presidente da UIPSS diz não entender a convocação de para uma
greve geral - a CGTP apelou a uma paralisação geral para o próximo dia 10 -,
quando o número de desempregados tem vindo a aumentar.
"Pasma-me que haja uma greve geral e cerca de 400 mil portugueses nem sequer se
podem dar ao luxo de ter um emprego", afirmou, acusando ainda alguns organismos
do Estado de "entreterem as pessoas" em dificuldades económicas, protelando a
atribuição de subsídios e apoios.
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