| Público - 9 Nov 04
Mirandela
em Defesa da Maternidade
Mais uma vez,
os números penalizam Bragança. Por ano, nascem menos de mil crianças
neste distrito, que tem duas maternidades, em Mirandela e em
Bragança. São esses números a razão do receio que se instalou na
região: pelo menos uma das maternidades pode vir a encerrar.
A Comissão
Nacional de Saúde Materna e Neonatalidade desenvolveu um estudo, a
entregar no ministério no dia 27, que apontará para o encerramento
das maternidades que registem menos de 1500 partos por ano. O
presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, já afirmou que, a
verificar-se o encerramento de qualquer uma das maternidades, o
distrito em peso vai sair à rua, em sinal de protesto: "Se for
tomada uma decisão que leve ao encerramento da maternidade de
Mirandela, o Governo terá na rua a maior manifestação que alguma vez
houve em Trás-os-Montes", ameaça o autarca, afirmando-se solidário
com os concelhos servidos pelo Hospital de Bragança.
Os rumores
sobre a extinção não são de agora. Há cerca de meio ano, Adão Silva,
deputado social-democrata na Assembleia da República, na altura
secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, disse que se
demitiria se algum dos serviços de obstetrícia da região fechasse.
Agora sem funções governativas, garante que vai estar "na linha da
frente" numa manifestação de protesto se o Governo decidir extinguir
os serviços. Adão Silva não duvida de que a orientação do ministro
será no sentido do encerramento. Conhecendo essa posição, resolveu
"apelar à ultima instância" e, ontem mesmo, enviou uma carta ao
primeiro-ministro, transmitindo-lhe a sua posição.
A maternidade
de Mirandela serve, para além deste concelho, Alfândega da Fé, Vila
Flor, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Torre de
Moncorvo e Macedo de Cavaleiros. Os serviços de Obstetrícia possuem
quatro médicos especialistas e, no ano de 2003, registaram 500
nascimentos. A maternidade de Bragança serve também Vinhais,
Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro. Conta com três obstetras ao
serviço e, em 2003, registou cerca de 450 partos. Apesar dos
números, Adão Silva diz que a retirada dessas valências "representa
gravíssimos danos para a população nordestina". Por isso, defende:
"Uma decisão desta natureza tem de ser tomada com alma e os números
não têm alma".
O parlamentar
pede a Pedro Santana Lopes que aproveite a reunião de Conselho de
Ministros, no dia 11, em Bragança, para clarificar a matéria. O
presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, tem-se mantido
tranquilo e diz acreditar que o Governo "não vai retirar nenhuma das
maternidades".
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