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- 02 Nov 07
Escolas privadas lideram os
resultados do Básico e do Secundário
Uma em cada três escolas não consegue uma média
positiva
Isabel Leiria
No ano em que o PÚBLICO divulga pela
primeira ver o ranking das escolas básicas,
ordenadas segundo as médias obtidas nos exames
nacionais do 9.º, tal como tem feito para o
secundário, a constatação mantém-se: tanto num nível
de ensino como no outro, as escolas com melhores
desempenhos são sobretudo privadas e concentram-se
no litoral do país.
E há estabelecimentos que, tendo o
3.º ciclo e o secundário, conseguem o pleno e surgir
nos primeiros 20 lugares destas listas em ambos os
níveis de ensino. É o caso dos colégios Cedros,
Luso-Francês (ambos no Porto), Moderno e Manuel
Bernardes (os dois em Lisboa), do Externato Marista
de Lisboa e dos Salesianos do Estoril (Cascais).
Outros distinguem-se pela negativa.
Secundárias como a do Rodo ou a Prof. António da
Natividade, ambas no distrito de Vila Real, não
conseguem afastar-se das piores posições e figuram
no fim das duas tabelas.
Sem dispor de dados que permitam
fazer a caracterização das famílias dos alunos e
conhecer as características de cada comunidade
escolar - o Ministério da Educação apenas fornece as
classificações por estabelecimento de ensino -,
resta um retrato de um sistema consideravelmente
desigual no que respeita aos resultados obtidos
pelos jovens no final da escolaridade obrigatória e
do secundário. Em ambos os casos, as escolas do topo
estão separadas por valores médios que representam o
dobro do que é conseguido nos estabelecimentos do
fim da tabela.
Pouca evolução positiva
O problema é que, em grande parte
delas, não se nota evoluções positivas. Olhando para
os últimos 50 lugares do ranking do secundário deste
ano, em que é possível comparação com 2001 - o
primeiro em que os órgãos de comunicação social
tiveram acesso aos resultados dos exames por escola
-, verifica-se que apenas meia dúzia melhorou as
suas médias.
Seis anos depois, as conclusões
possíveis repetem-se. As escolas privadas continuam
sobrerrepresentadas nos lugares cimeiros dos
rankings e ainda não foi desta que uma escola
pública chegou ao 1.º lugar da tabela. No caso do
secundário, houve até um reforço desse domínio. Os
estabelecimentos particulares ocupam 17 das
primeiras 20 posições, quando em 2006 preenchiam 12.
Mas, se se olhar para o número de
alunos que cada estabelecimento levou a exame,
factor importante nesta ordenação que apenas tem em
conta os resultados nas provas, então a conclusão
também pode ser esta: três das 20 escolas com
melhores médias e em que se prestou um maior número
de provas são públicas.
O destaque deste ano vai assim para
o Colégio Mira Rio, em Lisboa, cujas alunas
obtiveram a média mais alta (14,79 valores) nas oito
provas seleccionadas pelo PÚBLICO. Mas também para a
Infanta Dona Maria, em Coimbra, que, tendo ficado em
8º lugar no ranking, é a primeira das públicas a
aparecer na lista. Teve meio milhar de exames - o
Mira Rio apenas 48 - e a média foi de 13,46.
Interior no final da lista
Mesmo assim, é notório o domínio do
sector particular. Nestas escolas, realizaram-se 19
por cento do total de exames que foram tidos em
conta. No conjunto dos 20 estabelecimentos com
melhores médias, elas congregam mais de 70 por cento
das provas realizadas nesse grupo. Estatais ou
particulares, há pelo menos um factor que une estas
instituições com melhores médias: todas se situam
nos distritos de Lisboa, Porto e Coimbra e
localizam-se em centros urbanos do litoral.
E, no fim da lista, há distritos que
aparecem mais do que uma vez: quatro escolas de Vila
Real, duas da Guarda e duas de Portalegre estão
entre as 20 com piores prestações. Há outra
característica comum às escolas com ensino
secundário que ocupam os três primeiros lugares.
Todas pertencem à Cooperativa Fomento, ligada à Opus
Dei, e onde rapazes e raparigas são ensinados à
parte (uma quarta escola da Cooperativa Fomento, o
Colégio Planalto, não figura nestas listas). As duas
que se seguem estão também ligadas à Igreja
Católica.
Mas em que medida estas
características explicam o sucesso dos alunos? Por
que razão a Infanta Dona Maria, em Coimbra, consegue
sistematicamente uma posição de destaque e a escola
também pública situada a poucos metros de distância,
a Avelar Brotero, fica bastante aquém? Por que razão
há oscilações significativas de médias numa escola
de um ano para o outro? E por que é que há
estabelecimentos com bons desempenhos nas provas do
9.º e maus no secundário e vice-versa?
Estas são apenas algumas das
interrogações que os rankings permitem fazer. Quanto
às respostas, só poderão ser dadas pelas escolas.
Olhando para os números mais gerais, verifica-se
que, apesar da melhoria das notas a algumas
disciplinas do secundário, como Matemática, na
totalidade das oito provas consideradas houve mais
escolas a ter resultados médios abaixo dos 9,5
valores.Aconteceu com 28 por cento em 2006. Em 2007,
subiu para os 38 por cento, ou seja, 230 tiveram uma
média negativa.
Quanto ao básico, uma em cada três
escolas públicas (362 num universo de 1096) não
consegue chegar aos 2,5 valores de média (numa
escala de 1 a 5). No universo das privadas, tal
acontece com apenas sete por cento (14 em 190). E é
também privada a única escola que consegue uma média
superior a 4 valores, uma prestação que valeu ao
Externato As Descobertas, em Lisboa, o 1.º lugar do
ranking. No entanto, apenas se realizaram aqui 28
exames.
Olhando de baixo para cima,
constata-se que há seis estabelecimentos de ensino,
onde se incluem as antigas escolas industriais
Fonseca Benevides e Marquês de Pombal, ambas em
Lisboa, cujos alunos não conseguiram sequer chegar
aos 2 valores de média.