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- 04 Nov 07
David Justino, ex-ministro da
educação do PSD
Assessor de Cavaco Silva lança duras críticas a
alteração do Estatuto do Aluno
Ricardo Dias Felner
O assessor de Cavaco Silva para os
Assuntos Sociais, David Justino, não gostou nada da
proposta de alteração ao Estatuto do Aluno aprovada,
na generalidade, na Assembleia da República. No dia
27 de Outubro, três dias depois de o diploma ser
votado, o ex-ministro da Educação atirou-se contra
"a marca emergente de algumas visões românticas do
processo educativo", que tão "nefastas" têm sido
para o ensino.
A opinião de David Justino - que foi
responsável pelo Estatuto do Aluno ainda em vigor -
foi escrita no blogue colectivo Quarta República,
onde também escrevem a assessora para a Educação do
actual Presidente da República, Suzana Toscano,
alguns ex-deputados do PSD, Tavares Moreira,
ex-secretário de Estado de Cavaco Silva, e o
deputado Miguel Frasquilho.
David Justino - que o PÚBLICO não
conseguiu contactar - começa por fazer uma crítica
genérica do lobby do "eduquês", numa recensão do
livro A Lógica dos Burros - O Lado Negro das
Políticas Educativas, da autoria do professor
Gabriel Mithá Ribeiro. Mas acaba por relacionar
directamente a tese defendida por esse grupo - "que
está muito longe de deixar de exercer o poder" - e
as alterações ao Estatuto do Aluno: "Afinal os
estudantes (que vão à escola e estudam), os
escolantes (que vão à escola e não estudam) e os
faltantes (os que não vão à escola e não estudam)
passam a ser tratados ao mesmo nível, com os mesmos
direitos, mas raramente com os mesmos deveres. Assim
não há volta a dar", comenta.
Miguel Frasquilho também se refere à
alteração do diploma, apelidando-o de "um delirante
contributo do PS", que decidiu alterar o projecto de
lei que havia sido aprovado em Conselho de
Ministros, "onde, apesar de tudo, ainda havia algum
pudor". Curiosamente, perante a iminente entrada em
vigor desta lei, e a possibilidade de alguém "passar
de ano sem pôr os pés na escola", o deputado
alertaria: "Só Belém pode impedir que tal aconteça."
Belém recusou ontem pronunciar-se
sobre as conversas mantidas com São Bento,
nomeadamente relativamente às alterações ao Estatuto
do Aluno. Mas o gabinete de José Sócrates desmentiu
que tenha ocorrido qualquer pressão no sentido de
alterar a proposta do PS.
"O sr. primeiro-ministro não
discutiu com o sr. Presidente da República o
Estatuto do Aluno", lia-se numa nota, enviada ontem
à Lusa, pelos assessores do primeiro-ministro, em
que se acrescentava serem as notícias "falsas e sem
qualquer fundamento".
A proposta de alteração apresentada
e aprovada pelo PS, no dia 24 de Outubro, acabava
com a possibilidade de um aluno chumbar por ter
ultrapassado o limite de faltas injustificadas.
No dia 31, os socialistas
apresentariam uma nova versão do diploma, desta
feita prevendo o chumbo do ano, a exclusão da
frequência das disciplinas com falta de assiduidade
ou, em alternativa, a elaboração de um programa de
recuperação dos conhecimentos.
Uma das primeiras batalhas de David
Justino, enquanto ministro da Educação de Durão
Barroso, foi precisamente o Estatuto do Aluno. Numa
entrevista publicada em 2002, no Jornal de Letras,
Justino afirmava que esse instrumento iria
contrariar uma política da educação assente em
pedagogias "românticas", que haviam fomentado a
"anarquia", o "facilitismo" e "sérios problemas de
indisciplina". Na altura, era secretário de Estado
da Educação Jorge Moreira da Silva, actual
conselheiro de Cavaco Silva para a Educação.