Público
- 28 Nov 07
Município de Loulé beneficia
contribuintes com uma redução de dois por cento no
IRS
Idálio Revez
Três câmaras algarvias - Loulé,
Olhão e Alcoutim - decidiram baixar os impostos para
tentar atrair eleitores, investidores e empresas.
Faro, atolada em dívidas, fica de fora
A redução dos impostos sobre os
rendimentos das pessoas singulares (IRS) e taxa da
contribuição municipal sobre imóveis (IMI) são duas
das medidas lançadas por algumas câmaras algarvias,
para atrair eleitores e investidores. Mas há
concelhos, como é o caso de Faro, atolados em
dívidas, que não podem enveredar por esse caminho.
O município de Loulé, um dos
concelhos mais turísticos da região, foi pioneiro
nessa estratégia - decidiu que apenas vai reter três
por cento da taxa de IRS dos contribuintes,
ab-dicando de dois por cento. O IMI, no caso dos
prédios novos, baixa, também, de 0,43 por cento para
0,4 por cento. No total, abdica de receber 2,6
milhões de euros.
A Câmara de Olhão ainda não definiu
qual vai ser a taxa de redução, mas já anunciou que
"está disposta a prescindir de uma percentagem do
valor arrecadado com a colecta do IRS", a favor de
"um maior equilíbrio social". O presidente da
câmara, Francisco Leal, entende que o dinamismo
económico do concelho permite prescindir de alguma
receita. "O investimento privado não cai do céu",
diz o autarca, sublinhando a necessidade de captar o
empreendedorismo que faça a "ponte entre o turismo e
o sector das pescas".
O município de Alcoutim, um dos mais
pobres da região, já decidiu que abdica de cobrar a
totalidade da taxa dos cinco por cento, que a nova
Lei das Finanças Locais confere aos municípios. O
presidente da câmara, Francisco Amaral, em
declarações ao PÚBLICO, justificou: "Os rendimentos
dos munícipes são tão baixos que aquilo que iríamos
receber - 37.558 euros - não teria significado". A
principal receita vem da transferência de verbas da
administração central, cerca de seis milhões de
euros.
O autarca de Loulé, Seruca Emídio,
diz que a redução dos impostos insere-se numa
"estratégia de sustentabilidade, que foi traçada nos
últimos anos, e está dar frutos". A riqueza gerada
pelas empresas, sublinha, "deve traduzir-se em
benefício para todos os cidadãos". Os vereadores do
Partido Socialista, por outro lado, defendem que o
executivo deveria ter ido mais longe, abdicando da
totalidade da taxa dos cinco por cento de IRS,
propondo ao mesmo tempo uma redução na taxa do IMI
(0,65 por cento para os prédios antigos, e 0,35 por
cento para os prédios novos). A justificação,
alegam, é que o município de Loulé é a nível
nacional o de maior capitação fiscal - 741,1 euros
por habitante.
Diz o autarca que a centralidade de
Loulé (perto do aeroporto e das praias) "confere a
esta cidade uma posição de liderança a nível
regional", razão pela qual, acrescenta, "estão em
execução mais de uma dezena de planos, no litoral e
interior". No lado oposto, em Alcoutim, Francisco
Amaral lamenta estar "amarrado de pés e mãos". Em
termos urbanísticos, observa, "não posso dar um
passo sem pisar a Reserva Ecológica Nacional".O
grande objectivo, ao prescindir de receber a taxa de
IRS, é criar um incentivo para "atrair jovens, para
inverter o progressivo envelhecimento do concelho".
O município de Faro, com um dívida
de 56 milhões de euros, o que desejaria era aumentar
e não reduzir os impostos. O presidente da câmara,
José Apolinário, apresentou na reunião da Associação
de Municípios do Algarve uma proposta para que
houvesse uma recomendação daquele órgão no sentido
de uniformização da aplicação das taxas do IRS e do
IMI, mas não teve sucesso. "Na área de Lisboa houve
uma recomendação para manter a taxa dos cinco por
cento, no Algarve isso não sucedeu", lamentou.