Público - 13 de Outubro

Pais Norte-americanos Escolhem Cada Vez Mais Ensinar Os Filhos em Casa 
Por LOUISE DALY

Mais do dobro em relação a 1994

Estima-se que 850 mil crianças sejam educadas em casa, na sua maioria pelos próprios pais 

Um número cada vez maior de crianças norte-americanas está a romper com o ritual do regresso às aulas e das carrinhas escolares amarelas, para ficar a estudar em casa, no que constitui uma renúncia dos seus pais à escola pública tradicional. Segundo o Departamento de Educação, pelo menos 850 mil crianças e jovens com menos de 17 anos passaram a aprender em casa. Comparando com os dados de 1994, verifica-se que o número deste tipo de novos alunos mais do que duplicou. A maioria é oriunda de famílias numerosas e, em 75 por cento dos casos, é ensinada pelos próprios pais. 

São muitas as razões por trás desta evolução. Num inquérito levado a cabo pelo Ministério da Educação, a maior parte (38,4 por cento) dos encarregados de educação apontou as suas convicções religiosas como a principal explicação. A falta de qualidade das escolas públicas e razões familiares foram outros dos motivos referidos. Mas, sobretudo, praticamente metade (48,9 por cento) dos inquiridos disseram acreditar que podem dar uma melhor educação aos seus filhos em casa, ajudados cada vez mais pela multiplicação de conselhos e métodos disponíveis na Internet. 

Desenvolver os conhecimentos por si próprio
Kathy Faas, 47 anos, terapeuta, ocupa-se ela própria da educação dos quatro filhos. Acredita que "o objectivo último da educação é ensinar as crianças a tornarem-se adultos com uma sólida formação" e que "inscrevê-los numa escola pública não iria ajudar a reforçar os valores ensinados em casa". O seu filho Brad, 21 anos, terminou agora a escolarização. "Aprendeu sempre com os pés bem assentes na terra e é independente. Tem um espírito curioso e continua a desenvolver os seus conhecimentos por si próprio". 

Dori Bock, 36 anos, criadora de gado e cavalos num rancho isolado do estado de Montana, também escolheu ser ela a escolarizar a filha de 14 anos, Brianna, incutindo-lhe os valores tradicionais em que acredita. Por uma outra razão mais pragmática: com esta decisão livrou a filha de ter de percorrer diariamente os 60 quilómetros que separam o rancho da escola mais próxima. 

"Muitas vezes, a escola não ensina nada de prático, mas apenas conhecimentos livrescos que não são tão necessários no dia-a-dia", explica Dori. A prova, encontra-a na quantidade de jovens que vão trabalhar para o seu rancho e que não têm qualquer capacidade de iniciativa. Ao contrário deles, Brianna é "muito independente e tem maturidade. Pode tratar do gado, conduzir um camião ou um tractor". 

É certo que, nos primeiros tempos, foi complicado, reconhece. Antes de ter encontrado na Internet uma associação que representava os pais na sua situação, Dori teve de improvisar as aulas com a ajuda de alguns livros. Depois disso Drianna começou a seguir verdadeiros cursos por correspondência, com os seus progressos a serem verificados pelo computador. 

Brianna diz-se contente pela escolha da mãe. "Sempre fui independente. Mesmo na escola primária os meus colegas não gostavam de mim", afirma a jovem, que espera um dia vir a ser ela a dirigir o rancho. E Dori Bock nem está preocupada com o facto de a filha não ter contactos com os jovens da sua idade. "Enquanto esses passam o tempo a visitar centros comerciais e a namorar nos parques de estacionamento, a Drianna está lá fora a reparar barreiras e a cuidar do gado". 

AFP
 

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