Correio da Manhã - 14 Out 04
Orçamento -
Ministro anuncia redução de 12% para 10,5%
TAXA MAIS BAIXA DO IRS
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A taxa
mínima do Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares
(IRS) vai descer no próximo ano, de 12 para 10,5 por cento,
anunciou ontem, na Assembleia da República, o ministro das
Finanças, António Bagão Félix.
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Após ter
apresentado aos grupos parlamentares as linhas gerais do
Orçamento do Estado para 2005, o ministro explicou aos
jornalistas que a descida no IRS “é concretizável” graças à
eliminação dos benefícios fiscais, avaliados em 300 milhões
de euros. “Assim não se diminui a receita”, acrescentou.
A mexida no IRS é possível também com um “controlo muito
rigoroso da despesa” e com “medidas como nunca houve” no
combate à fraude e evasão fiscais, entre elas, mexidas no
sigilo bancário e no IRC, que serão apresentadas em pormenor
amanhã de manhã, quando o Orçamento do Estado for entregue
no Parlamento.
Bagão Félix confirmou que os aumentos salariais para a
função pública serão “ligeiramente” acima da inflação
estimada (dois por cento) e que o recurso a receitas
extraordinárias será “inferior” em 2005, tanto em termos
absolutos como relativos.
“Se não aumentássemos a função pública e os pensionistas,
não precisávamos de receitas extraordinárias”, frisou o
ministro.
Quanto ao Imposto Sobre os produtos Petrolíferos (ISP),
Bagão Félix afirmou que não haverá reduções nas taxas. “Isso
seria um sinal errado contra a economia”, explicou,
lembrando que o cenário macroeconómico elaborado teve como
preço indicativo do barril do petróleo 38,7 dólares.
Bagão Félix disse ainda que o Orçamento do Estado para 2005
é de “maior solidariedade social e de maior responsabilidade
cívica”, garantindo que o Estado “vai pagar dívidas
atrasadas”.
“Este não é um orçamento eleitoralista”, acrescentou o
ministro das Finanças.
NOTAS
PIDDAC
O deputado Hasse Ferreira (PS) adiantou que Bagão anunciou
uma subida no Programa de Investimentos e Despesas de
Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), mas
sublinhou que será à custa das despesas correntes.
PROTESTOS
A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, que
ontem fez uma acção de protesto em S. Bento, contra a
política do Governo, agendou para dia 21 uma reunião para
avaliar o Orçamento do Estado e definir novas formas de
luta.
RELATÓRIO
No relatório de Setembro sobre a situação económica, a SaeR
– Sociedade de Avaliação de Empresas em Risco nega que a
redução da taxa de imposto sobre as empresas seja um factor
suficiente por si só para atrair investimento estrangeiro.
REACÇÕES NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
PSD - GUILHERME SILVA: O deputado do PSD Guilherme Silva
disse que o ministro Bagão Félix garantiu que a receita
fiscal vai aumentar entre quatro e cinco por cento no
próximo ano, valor em linha com o crescimento nominal de 4,7
por cento da economia previsto nas GOP.
PP - NUNO MELO: “O Orçamento do Estado para 2005 vai dar
boas notícias para os contribuintes, uma vez que a realidade
económica e financeira é hoje diferente da que havia há dois
anos. O ministro das Finanças, Bagão Félix, continua
preocupado com o rigor das contas públicas.
PS - OLIVEIRA MARTINS: “Levamos as mesmas preocupações,
foram dadas algumas explicações. Mas não ficamos
esclarecidos. Só tendo a proposta de lei é que poderemos
pronunciarmo-nos. Sem os números do Orçamento... a conversa
foi sobre aspectos gerais. Sexta-feira veremos a proposta de
Lei do Orçamento”.
PCP - BERNARDINO SOARES: “Continuamos preocupados com a
necessidade deste orçamento ter de dar atenção a um aumento
real e compensador de perdas de poder de compra anterior dos
salários e das reformas. convergência das pensões e um
aumento do investimento reprodutivo com efeitos benéficos na
economia”.
BE - FRANCISCO LOUÇÃ: “Tem-se gasto dinheiro muito mal para
reduzir o défice, quando a alternativa era reduzir despesas
absurdas, como as da Defesa, os orçamentos transformaram-se
numa espécie de divertimento dos governos em vez de
responderem aos problemas fundamentais."
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Denise
Fernandes com R.O. |
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