A mulher do Presidente da República, Maria José
Ritta, considerou hoje que as respostas do Estado para os problemas
das famílias portuguesas são insuficientes.
"As dificuldades crescem. Se calhar não
conseguimos agarrar o ritmo. Os problemas complicam-se muito e as
respostas que são dadas não são suficientes para o número e a
gravidade dos problemas", disse na abertura do seminário "O que
custa um filho", em Coimbra.
No entanto, Maria José Ritta reconheceu que têm
surgido políticas sociais activas "que tentam contemplar situações
mais difíceis", como os casos da criação do rendimento de inserção
social ou dos centros de acolhimento para crianças e jovens
vulneráveis.
Na perspectiva de Maria José Ritta, as famílias
numerosas são as mais atingidas porque se deparam com uma "situação
de depauperamento crescente", afectadas pelos constrangimentos do
mercado de habitação, "sem medidas correctivas, que as empurram para
as periferias" e espaços urbanos sem grandes condições.
"Uma nova criança custa uma nova casa, um
acréscimo de salário, alguém que cuide dela, uma propina para a
creche ou jardim-de- infância", observou.
Na opinião de Maria José Ritta, também a
fiscalidade "penaliza as famílias legalmente constituídas".
As próprias escolas, por vezes, "estão mais
preocupadas com as necessidades dos professores do que com as das
crianças e famílias", afirmou.
Ao comparar a situação fiscal das famílias com a
das empresas, a mulher do Presidente da República concluiu que o
"Estado trata mal as famílias".
Se uma empregada doméstica é contratada por uma
família, a que têm de recorrer cada vez mais pelos seus afazeres
laborais, os encargos não poderão ser dedutíveis nos impostos, mas
se é uma empresa a contrata-la já os pode deduzir.
E é muito por força da carga de trabalho, da
ocupação laboral, que "a função parental está mais difícil",
considerou.
Essas dificuldades - acrescentou - contribuem
para a "tendência de colocar, de algum modo, na escola, e noutras
entidades, algumas das responsabilidades e tarefas dos pais".
Na opinião de Maria José Ritta, "há aspectos de
relacionamento com os filhos que são absolutamente indelegáveis
noutras instituições, e os pais têm de as assumir".
"Hoje os filhos vivem em contextos sociais mais
difíceis. Há muita solicitação lá fora e a educação das crianças não
depende apenas dos pais. Há muitas influências do exterior, boas e
más", observou.
O "reforço dos laços pais-filhos é um elemento
sedimentador do desenvolvimento pessoal, e dos pilares que os hão-de
moldar para a vida toda", acrescentou.
O ministro da Segurança Social, Fernando Negrão,
a quem competia proferir hoje a conferência "Uma sociedade sem
filhos", não compareceu por se encontrar na reunião do Conselho de
Ministros.
O Seminário "o que custa um filho", organizado
pelo Centro Integrado de Apoio Familiar de Coimbra", termina ao
final da tarde de sábado. Para a sessão de encerramento foi
convidado o primeiro- ministro, Santana Lopes.