| Jornal de Notícias - 18 Out 04
"País sem bebés não tem futuro"
Natalidade
Especialista defende incentivos
para que os casais tenham mais filhos
O especialista em
genética da Universidade de Coimbra Fernando Regateiro defendeu
anteontem a adopção de políticas activas, e uma alteração das
mentalidades, para se incentivar o aumento da natalidade em
Portugal. Ao proferir a conferência de encerramento do seminário "O
que custa um filho", o docente de genética médica sustentou que o
aumento da natalidade é um imperativo, "por razões demográficas e de
solidariedade para com o futuro".
No seu entendimento, para se repor a natalidade, deveriam nascer 2,1
a 2,2 filhos por casal, mas as 120 mil crianças que anualmente são
dadas à luz correspondem apenas a uma taxa de 1,4 ou 1,5. "Um país
sem bebés fecha as portas ao futuro", sustentou, frisando que esta
tendência de envelhecimento atravessa toda a Europa, em que "metade
da população com direito a voto já é reformada".
Na opinião deste docente, é necessário promover uma "autêntica
política de natalidade", com incentivos do Estado para as famílias,
e que contribua para alterar a mentalidade da sociedade.
Fernando Regateiro diz que as famílias com filhos acabam por sair
prejudicadas, em detrimento das monoparentais e dos casais sem
filhos. Na sociedade encontra-se um "positivismo utilitarista", uma
visão que se traduz em "colocar à frente da constituição familiar o
bem-estar, o conforto e o trabalho".
Fernando Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra, enquadrou
o tema à luz dos custos de formação universitária e das reformas
legislativas em curso para o Ensino Superior. "Quem está no terreno
verifica que não corresponde à realidade" a afirmação dos
governantes de que "ninguém ficará de fora do Ensino Superior por
razões económicas".
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