O especialista em genética da Universidade de
Coimbra Fernando Regateiro defendeu hoje a adopção de políticas
activas, e uma alteração das mentalidades, para se incentivar o
aumento da natalidade em Portugal.
Ao proferir esta tarde, em Coimbra, a conferência
de encerramento do seminário "O que custa um filho", o docente de
genética médica sustentou que o aumento da natalidade é um
imperativo, "por razões demográficas e de solidariedade para com o
futuro".
No seu entendimento, para se repor a natalidade,
deveriam nascer 2,1 a 2,2 filhos por casal, mas as 120 mil crianças
que anualmente são dadas à luz correspondem apenas a uma taxa de 1,4
ou 1,5.
"Um país sem bebés fecha as portas ao futuro",
sustentou, frisando que esta tendência de envelhecimento atravessa
toda a Europa, em que "metade da população com direito a voto já é
reformada".
Na opinião deste docente, ligado ao Instituto de
Genética Médica da Universidade de Coimbra e antigo presidente da
Confederação Nacional das Associações de Pais, é necessário promover
uma "autêntica política de natalidade", com incentivos do Estado
para as famílias, e que contribua para alterar a mentalidade da
sociedade.
Fernando Regateiro diz que, a par da ausência de
incentivos eficazes em termos fiscais, as famílias com filhos acabam
por sair prejudicadas, em detrimento das monoparentais e dos casais
sem filhos.
Na sociedade encontra-se um "positivismo
utilitarista", uma visão que se traduz em "colocar à frente da
constituição familiar o bem-estar, o conforto e o trabalho".
Fernando Seabra Santos, reitor da Universidade de
Coimbra, um dos convidados para encerrar o seminário de dois dias,
em resposta à questão: "o que custa um filho?", disse que "mesmo que
custe muito, não custará seguramente o valor que ele tem".
E enquadrando o tema à luz dos custos de formação
universitária e das reformas legislativas em curso para o ensino
superior, sustentou que "o custo de um filho não pode deixar de
preocupar".
"Em Portugal este problema tem preocupado menos
do que noutros países", sublinhou, frisando que "quem está no
terreno verifica que não corresponde à realidade" a afirmação dos
governantes de que "ninguém ficará de fora do ensino superior por
razões económicas".
Para exemplificar, realçou que o sistema de acção
social contempla seis escalões para atribuição dos subsídios, e "a
generalidade" acaba por ser atirado para o mais baixo, recebendo
cerca de 35 euros de bolsa por mês.
Um estudante para ser colocado no escalão mais
elevado de benefícios da acção social escolar "terá de pertencer a
uma família de cinco elementos, em que o agregado não tenha
rendimentos superiores a 2,7 euros por dia", acrescentou.
Para o Reitor da Universidade, "é preciso um
nível de indigência" para ter acesso a esses benefícios sociais.
O seminário "O que custa um filho..." teve início
sexta-feira, com uma intervenção da esposa do Presidente da
República, Maria José Ritta, e encerrou ao princípio da noite de
hoje. Foi organizado pelo Centro Integrado de Apoio Familiar de
Coimbra.