Público - 02
Out 06
OCDE recomenda leis mais duras para baixar mortes
de jovens nas estradas
Sofia Rodrigues
Relatório lembra que os óbitos
decorrentes de acidentes na faixa etária dos 15 aos
24 anos são um problema de saúde pública
Os jovens condutores deveriam
estar sujeitos a leis mais pesadas para punir
comportamentos perigosos nas estradas, segundo um
relatório publicado pela Organização de Cooperação e
Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Conferência
Europeia de Ministros dos Transportes.
Os acidentes de viação são a maior causa de morte de
pessoas entre os 15 e os 24 anos nos países
industriais, de acordo com o estudo Young Drivers:
The Road to Safety. Trata-se de um grave problema de
saúde pública: os jovens só representam 10 por cento
da população nos países da OCDE, mas que se traduzem
em 27 por cento dos condutores mortos em acidentes.
Para contrariar esta realidade, o estudo propõe oito
medidas que vão desde a consciencialização pública
do problema até a uma legislação especificamente
mais dura para o grupo-alvo.
Uma das propostas feitas pelos dois organismos é a
redução da taxa máxima de álcool permitida por lei
para 0,2 gramas por litro (g/l) de sangue, válida só
para os condutores mais novos. A maioria dos países
europeus, incluindo Portugal, aplica o máximo de 0,5
g/l.
Ao nível da formação, o relatório recomenda que os
jovens sejam obrigados a passar mais tempo a
conduzir ao lado de um motorista experiente, além de
um mínimo de 50 horas de aulas obrigatórias. Em
1993, a Suécia, por exemplo, aumentou o número de
horas de aprendizagem de condução de 50 para 120
horas, o que resultou em estatísticas positivas na
sinistralidade: o número de acidentes com jovens
desceu 40 por cento em dois anos.
O estudo sugere a imposição de um período probatório
para os jovens condutores dentro do qual podem ficar
sem carta ou serem obrigados a ter mais formação, no
caso de cometerem determinadas infracções. Em
Portugal, a carta de condução é provisória nos três
primeiros anos e só se converte em definitiva se o
titular tiver o seu cadastro limpo, ou seja, não
cometer um crime rodoviário ou uma contra-ordenação
grave ou muito grave.
Outra das medidas propostas é um endurecimento das
penalizações às infracções mais cometidas pelos
jovens, tais como não usar o cinto de segurança,
conduzir sob o efeito de droga ou álcool e
ultrapassar os limites de velocidade.
Estes comportamentos perigosos são característicos
dos condutores mais novos, segundo os dados
recolhidos pelo estudo. São também elevados os
números de acidentes à noite e/ou ao fim-de-semana,
quando viajam acompanhados por passageiros de idades
semelhantes. Há um número exagerado de despistes em
automóveis ligeiros e de acidentes que ocorrem no
sentido contrário. E as vítimas são em grande
maioria do sexo masculino.
Além dos custos sociais, os acidentes com jovens
pesam economicamente nas sociedades. Só nos Estados
Unidos estima-se que em 2002 os acidentes que
envolveram condutores entre os 15 e os 20 anos
custaram 40,8 mil milhões de dólares.