A Comissão Europeia considera que as
propostas de reforma da Segurança Social
portuguesa tenderão a ajudar a garantir
sustentabilidade das finanças públicas,
mas reserva uma avaliação final para o
momento em que conhecer em detalhe o
conjunto das propostas, que foram ontem
acordadas entre o Governo e os parceiros
sociais, à excepção da CGTP.
Certo, é que, se nada for feito, em
2050 a dívida pública portuguesa corre o
risco de atingir 528,2% do PIB – um
valor que traduz a falência completa do
sistema.
A Comissão Europeia considera que as
propostas de reforma da Segurança Social
portuguesa tenderão a ajudar a garantir
sustentabilidade das finanças públicas,
mas reserva uma avaliação final para o
momento em que conhecer em detalhe o
conjunto das propostas, que foram ontem
acordadas entre o Governo e os parceiros
sociais, à excepção da CGTP.
Certo, é que, se nada for feito, em
2050 a dívida pública portuguesa corre o
risco de atingir 528,2% do PIB – um
valor que traduz a falência completa do
sistema.
Num novo relatório sobre a "Sustentabilidade
das Finanças Públicas" nos países da
União Europeia, hoje divulgado e que
retoma o essencial das projecções que
Bruxelas havia apresentado em Fevereiro
último no âmbito de um documento sobre o
"Impacto do envelhecimento da
população", Bruxelas escreve que, com
base no conhecimento sobre as linhas
mestras da reforma proposta pelo Governo
de José Sócrates, estas "parecem ajudar
à promoção da sustentabilidade do
sistema de pensões".
Mas, acrescenta, "uma avaliação mais
conclusiva apenas poderá ser realizada
com base na proposta de lei detalhada
que revele como é que as mudanças serão
introduzidas na prática". A proposta de
lei, que prevê designadamente a
introdução de um factor de
sustentabilidade para ajustar o valor
futuro das pensões ao aumento da
esperança de vida, acaba de entrar na
fase de discussão em Assembleia da
República.
Este novo relatório de Bruxelas
confirma Portugal como país de "alto
risco" em matéria de sustentabilidade
das finanças públicas. Entre os antigos
quinze Estados-membros, Portugal é mesmo
o que enfrenta o maior desafio
relacionado com o envelhecimento da
população. Só o custos das pensões,
aumentará o equivalente a 9,7% do PIB
entre 2005 e 2050, com as despesas
totais (que incluem também os gastos de
saúde) a subirem 10,1% no mesmo período.
Segundo as projecções de Bruxelas, se
nada for mudado, a dívida pública
portuguesa poderá agravar-se de 63,9% do
PIB em 2005 para79,1% em 2010, antes de
disparar para 191% em 2030 e para uns
incomportáveis 528,2% em 2050.
Ou seja, por via do aumento dos
gastos com saúde e pensões,
designadamente, decorrentes do
envelhecimento da população portuguesa,
entre 2005 e 2050 a dívida pública (que
terá de ser paga pelas gerações futuras)
poderá aumentar 464,3%. Mesmo na
hipótese mais benigna, assumindo que o
Governo vai conseguir controlar as
finanças públicas e manter o saldo
orçamental próximo de zero ou mesmo
excedentário (como é estipulado pelo
Pacto de Estabilidade do euro em termos
de "objectivo de médio prazo") e que a
economia vai crescer acima de 2%, os
cálculos de Bruxelas apontam para que a
dívida pública se mantenha controlada (e
até em valores inferiores aos actuais),
até 2030, ano em que a dívida se
cifraria em 63,7%.
Mas, a partir daí, terão forçosamente
de ser introduzidas reformas na
Segurança Social, sugerem as projecções
de Bruxelas. Caso contrário, a dívida
pública disparará para 207,6% em 2050, o
que traduz um agravamento de 143,7% face
a 2005.
No conjunto da UE o cenário é
igualmente grave, mas menos aterrador. A
dívida pública média da UE pode passar
dos actuais 63% do PIB para 200% em
2050, no cenário base. No cenário mais
optimista, de finanças públicas sãs e
crescimento em torno de 2%, o
agravamento será menor, para 80%.